Especial Emílio Figueira: Digitando com um dedo (Parte 1)

Arte com foto de Emílio Figueira e texto: “Documentário Digitando com um dedo. O legado silencioso de Emílio Figueira à inclusão da pessoa com deficiência no Brasil”.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte com fundo na cor azul, foto e texto. À direita, canto superior: “Documentário Digitando com um dedo. O legado silencioso de Emílio Figueira à inclusão da pessoa com deficiência no Brasil. Parte 1”. Abaixo, a frase: Em cartaz no YouTube. No centro, a fotografia de Emílio Figueira. Homem branco, calvo, com bigode e barba. Usa óculos de grau e camiseta de gola polo. Está em pé de braços cruzados. À esquerda, a informação: Narração da atriz Nina Mancin. Na lateral, ícones de câmera, rolo de filme e player de vídeo. (Imagem: Edição de arte. Foto: Acervo pessoal)

Documentário Digitando com um dedo: O legado silencioso de Emílio Figueira à Inclusão de pessoas com deficiência no Brasil; Atos um e dois

Baseado no texto de Deise Tomazin Barboza*

Nota do editor:

Emílio Carlos Figueira da Silva é jornalista, psicólogo, psicanalista, cientista, teólogo, escritor, dramaturgo e poeta. O multiprofissional acaba de ter a sua biografia publicada no Wikipédia , enciclopédia livre da web construída por milhares de colaboradores de todas as partes do mundo.

“As pessoas têm duas opções na vida: passar todo o tempo se lamentando ou reagir, sair da zona de conforto e ter atitude de mudar o próprio destino.”  —Emílio Figueira

*DEISE TOMAZIN BARBOSA – Licenciada em Matemática e Pedagogia, especialista em Tecnologias Assistivas e Deficiências e mestre em Deficiências e Psicanálise. Gestora no Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Conteúdo do artigo
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    Boa leitura!

    Ato um: O alto muro da escola

    Ao nascer com paralisia cerebral em 1969, Emílio Figueira conheceu como ninguém a exclusão social, passando seus primeiros anos dentro de uma instituição, como paciente e aluno semi-interno na Associação de Assistência à Criança Defeituosa (termo da época), a AACD-Ibirapuera. Foram nove anos de sua infância, todos em terapias e salas de aulas. Em sua autobiografia “O Caso do Tipógrafo”, Emílio recorda-se:

    “Vivíamos uma época que os estudos e técnicas de tratamentos ainda engatinhavam. Como aluno semi-interno na AACD, por cinco anos usei aparelhos em quase todo o corpo para ele “endurecer”. Pesadas pulseiras de chumbo nos braços para “diminuir” os movimentos involuntários. Uma colher torta e com cabo engrossado de madeira, eu usava o aparador em volta do prato e um suporte de madeira grudado à mesa, que tinha o encaixe do prato, da caneca e pote de sobremesa. Lembro-me de seminários com enormes plateias, onde, crianças, éramos colocados só de cueca no palco, o especialista ia nos mostrando e analisando o caso. Assim fiz parte de muitos outros experimentos e pesquisas no início dos anos 1970. E, ao mesmo tempo que essa reabilitação foi importante para construir minha autonomia, orgulho-me por ter colaborado com esses experimentos”.

    Depois, Emílio, aos 11 anos, partiu para viver em Guaraçaí, uma pequena cidade do interior paulista. Ao ser totalmente incluído educacional e socialmente, fez a diferença. Dois polos que influenciam toda a sua vida e carreira.

    Ato dois: O início da militância

    Em meados da década 1980, adolescente, ele tomou consciência de sua própria deficiência. Paralelo as primeiras mal traçadas linhas como aspirante a escritor, poeta e estagiário como repórter na Folha de Guaraçaí, Emílio começou a escrever seus textos sobre a temática, a ler artigos e livros sobre esse universo e realizar suas tímidas pesquisas sobre integração social.

    O Brasil daquele período vivia intensamente o Movimento Político desse grupo, inspirados pelo “Ano Internacional da Pessoa Deficiente – 1981”. Mas por estar no interior, longe de todas as capitais, Emílio Figueira travava o início do que seria uma caminhada reservada. Uma característica que ele traz desde sua infância até os dias atuais, o gosto pelo trabalho solitário em sua mesa em um canto de seu quarto. Mesa essa que sempre manteve intensamente uma grande e diversificada produção.

    Emilio Figueira em 1984, no colégio. Tem pele clara e cabelos escuros e curtos. Está sentado e com as mãos sobre a mesa. Ao fundo está a bandeira nacional.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida de Emilio Figueira no colégio, em 1984. Tem pele clara e cabelos escuros e curtos. Está sentado e com as mãos sobre a mesa. Ao fundo está a bandeira nacional. À esquerda da foto, uma pequena pilha de livros e, à direita, um pequeno jarro com uma flor branca. (Foto: Reprodução. Créditos: Acervo pessoal)

    O Brasil daquele período vivia intensamente o Movimento Político desse grupo, inspirados pelo “Ano Internacional da Pessoa Deficiente – 1981”. Mas por estar no interior, longe de todas as capitais, Emílio Figueira travava o início do que seria uma caminhada reservada. Uma característica que ele traz desde sua infância até os dias atuais, o gosto pelo trabalho solitário em sua mesa em um canto de seu quarto. Mesa essa que sempre manteve intensamente uma grande e diversificada produção.

    Na década seguinte, anos 1990, Figueira se mudou para Bauru, cidade de grande porte. Ali, ainda na máquina de escrever, datilografando com um único dedo, ele começou a redigir artigos e textos de opinião sobre todas as questões que envolviam pessoas com deficiência. Esses textos eram enviados espontaneamente para muitos jornais e revistas, sendo em sua grande maioria publicados.

    Período também em que Emílio Figueira foi colaborador das primeiras publicações brasileiras voltadas exclusivamente ao assunto, o jornal carioca “Desafio de Hoje“ e da revista paulista “Integração”, ambos já extintos. Dali, esse autor definiria qual seria sua principal atividade pelas décadas seguintes: ser um divulgador das informações e novidades que envolvem as pessoas com deficiência.

    Emílio Figueira em números

    Antes do Ato Três: “Pessoas com deficiência e Comunicação Social”, conheça um pouco mais sobre as produções de Emílio Figueira.

    • 98 Artigos completos publicados em periódicos científicos
    • 240 Demais tipos de produção bibliográfica (publicação online)
    • 20 Demais trabalhos / originais de livros
    • 87 Livros publicados
    • 1 Participação em bancas examinadoras
    • 12 Participação em eventos
    • 19 Prêmios e títulos recebidos
    • 14 Produção artística / cultural
    • 1 Produção técnica (softwares sem registro de patente)
    • 520 Textos em jornais e revistas
    • 54 Palestras Realizadas no Brasil

    Álbum de fotos: Infância

    Descrições das imagens #PraCegoVer:

    1. Foto em preto e branco de Emilio Figueira criança pedalando um triciclo. Sorri e usa macacão.
    2. Foto em cores de Emilio Figueira criança, sentado na grama. Usa vestes de São João e toca um pequeno violão.
    3. Foto em preto e branco de Emilio Figueira criança, na AACD. Está em pé e usa apenas cueca.
    4. Foto em preto e branco de Emilio Figueira criança. Está dando risada e usa camiseta regata.

    (Foto: Reprodução. Créditos: Acervo pessoal)

    Sobre o autor

    Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo independente.

    Como escritor, Emílio é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira foi professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva. Atualmente dedica-se a Escrever Roteiros e projetos audiovisuais.

    Especial Emílio Figueira (Parte 02)
    Rafael F. Carpi
    Rafael F. Carpi

    Jornalista, editor nas iniciativas Jornalista Inclusivo e PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social em 2006, foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em acessibilidade e inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência e redator na equipe Dando Flor.

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