Quais os impactos da COVID-19 na audição?

Homem com deficiência auditiva e máscara hospitalar, ilustra os impactos da COVID-19 na audição.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Foto colorida, em área externa, ilustra os impactos da COVID-19 na audição. À esquerda da imagem, a cabeça de uma pessoa, de costas. Tem cabelos grisalhos, pele branca e usa máscara de proteção e aparelho auditivo. Créditos: Shutterstock

Evidências indicam que a doença pode estar relacionada com perda auditiva e zumbido

“Tenho observado na prática clínica um maior número de pacientes com queixa de zumbido durante a pandemia”, diz especialista sobre os impactos da COVID-19 na audição

Apesar dos avanços, a medicina ainda estuda os efeitos colaterais da COVID-19. Existem relatos de diversos sintomas e sequelas em pacientes que tiveram o vírus, principalmente naqueles que desenvolveram as formas mais graves da doença. Muitos pacientes reclamam de perda de olfato, paladar a até audição. Existem pessoas que relatam vertigens, zumbido no ouvido e até dificuldade para escutar. Mas será que o COVID-19 realmente pode estar relacionado com danos ao aparelho auditivo?

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Já existem evidências que relacionam a COVID-19 com problemas na audição. Um estudo publicado no American Journal of Otolaryngology analisou 20 pacientes com COVID-19, que não apresentavam qualquer sinal de perda auditiva antes do contato com o vírus. Quando submetidos ao exame de audiometria, o resultado do grupo foi pior do que aqueles que não tiveram a doença. 

Segundo um relatório do Manchester Biomedical Research Centre (BRC), após a análise de 24 estudos que apresentavam relação entre a COVID-19 e problemas de audição, os pesquisadores concluíram que, no geral, 7,6% dos pacientes pesquisados relataram terem sofrido de perda de audição após contraírem o coronavírus, 14,8% tiveram zumbido e 7,2% sintomas relacionados à vertigem.

Embora as pesquisas ainda estejam no início já temos algumas informações sobre o impacto do vírus SARS-CoV-2 para pacientes sem queixas auditivas prévias e também para aqueles que já apresentam queixas de zumbido ou perda de audição.

COVID e Zumbido

Alguns sintomas surgem na fase aguda da doença e podem sumir espontaneamente. Em alguns casos, essas alterações só são percebidas depois de algumas semanas após a contaminação pelo vírus.

“Tenho observado na prática clínica um maior número de pacientes com queixa de zumbido durante a pandemia. Tanto para piora do zumbido já existente, como início do sintoma. Alguns destes pacientes foram contaminados pelo coronavírus, outros apresentam PCR negativo no momento da avaliação”, explica a fonoaudióloga Andrea Soares, da Fonotom.

Fonoaudióloga Andrea Soares, mulher branca com cabelos castanhos curtos, responsável pelas dicas para identificar a perda auditiva em crianças.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia em área interna, com a fonoaudióloga Andréa Soares, especialista em audiologia e sócia da Fonotom. Ela é uma mulher branca com cabelos castanhos curtos. Usa óculos de grau e roupa branca. Créditos: Divulgação/FONOTOM

O que pode ter causado o aumento nas queixas de zumbido durante a pandemia? É difícil ainda ter uma resposta fechada. As causas do zumbido podem ser diversas. Desde uma alteração metabólica, causada pela nova rotina de trabalho em home office, passando por uma má qualidade do sono e tensão, o que pode provocar dores da ATM.

A infecção pelo coronavírus ou ainda medicação utilizada no tratamento da doença são fatores que podem piorar ou desencadear o quadro. O uso da hidróxicloroquina sozinha ou combinado com o metronidazol, duas substâncias apontadas como ototóxicas (afetam os ouvidos) em diversos estudos, pode causar alterações audiovestibulares, como perda auditiva, síndrome vestibular periférica e zumbido.

Um estudo  realizado no Reino Unido, com apoio da British Tinnitus Association e da American Tinnitus Association, discute a relação do zumbido com a contaminação pela COVID, ao observar que um número crescente de pessoas desenvolveu zumbido pela primeira vez ou viu seus sintomas piorarem depois de se contaminarem pela COVID-19. Os pesquisadores relatam que 40% dos pacientes com sintomas de COVID apresentaram simultaneamente a piora do zumbido.

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Um fato que pode apontar o aumento dos casos de zumbido pode estar, justamente, no Google. Um estudo com dados coletados pela empresa de software SEMrush aponta que as pesquisas “causas de zumbido” aumentaram 83% em fevereiro de 2021, quando comparado ao mesmo mês de 2020. As pesquisas pelo termo “zumbido” aumentaram 50% no mesmo período.

COVID e Perda Auditiva

Há casos de pacientes que relatam perda súbita da audição em casos de COVID-19. Ainda não se sabe muito bem o que pode provocar essas alterações, mas os médicos têm conseguido bons resultados no tratamento da perda auditiva súbita.

Um estudo, publicado em junho de 2021, mostra a relação entre perda auditiva e covid. Os dados apontam que o vírus pode causar perda de diferentes graus e tipos, podendo acometer um ou os dois ouvidos. Além disso, o coronavírus pode afetar o sistema auditivo nervoso central, que impactará diretamente na qualidade de compreensão de fala.

Duas mãos colocando aparelho auditivo em outra pessoa.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia mostra o rosto de uma pessoa branca com cabelos loiros e óculos de grau, e duas mãos de outra pessoa posiciona o aparelho auditivo em sua orelha esquerda. Créditos: Mark Paton/Unsplash

Esses sinais de alterações auditivas podem surgir até 12 semanas após a melhora do paciente. Entre os 4 sintomas mais citados após a contaminação, estão: perda auditiva e zumbido (mais comuns), vertigem e por último otalgia (dor de ouvido).

O importante é saber que esta perda pode surgir de forma súbita, acompanhada de baixa audição, sensação de ouvido tampado ou zumbido repentino.

COVID e Tontura

Os relatos de tontura e vertigem em pacientes contaminados pela COVID-19 ainda são poucos e os estudos são inconclusivos. É cedo para afirmar que existe relação entre tontura e vertigem com a COVID.

Ainda assim, é importante lembrar que tonturas, desequilíbrio e vertigens são sintomas que precisam ser tratados.  É fundamental consultar um médico para a realização de exames que podem identificar a causa do problema.

COVID e sua saúde

A pandemia mudou nossos hábitos. Nossa alimentação, nosso trabalho e até mesmo nossas preocupações foram impactadas pela nova realidade. Muitas pessoas deixaram, inclusive, de fazer o acompanhamento médico de rotina por medo do vírus. Portanto, ao primeiro sinal de desconforto, procure o seu médico. E nunca se esqueça de manter os cuidados de prevenção contra o coronavírus.

Entre eles, é fundamental vacinar-se contra a COVID-19. Um estudo de 2021 , com pesquisadores ligados ao Johns Hopkins Intitute, avaliou a relação da vacina para COVID-19 e a perda súbita da audição e concluíram que as vacinas NÃO aumentam o risco para perda súbita da audição.

Apesar de os médicos ainda estarem buscando entender a doença, é fato que existe uma relação entre a pandemia e o zumbido. Qualquer pessoa com queixas de zumbido, sensação de ouvido tampado ou piora súbita da audição deve ser examinada, o quanto antes, por um médico otorrinolaringologista e realizar uma avaliação audiológica completa, incluindo exames como audiometria de altas frequências, audiometria vocal, imitanciometria e acufenometria. Esses exames podem garantir um tratamento adequado para o problema evitando danos ao aparelho auditivo.

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