Especial Emílio Figueira: Digitando com um dedo (Parte 3)

Arte com foto de Emílio Figueira e texto: “Documentário Digitando com um dedo. O legado silencioso de Emílio Figueira à inclusão da pessoa com deficiência no Brasil”.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte com fotografia e textos. À esquerda, canto superior: Documentário Digitando com um dedo. O legado silencioso de Emílio Figueira à inclusão da pessoa com deficiência no Brasil”. À direita, as informações: Narração da atriz Nina Mancin, parte 3. Fotografia de Emílio, homem branco e calvo, com cabelos, barba e bigode pretos grisalhos. Usa óculos de grau, camiseta cinza e calça escura. Está sentado e apoiado em uma mesa com alguns dos seus livros. Abaixo, sobreposição da frase: Em cartaz no YouTube. Na lateral esquerda, ícones de câmera, rolo de filme e player de vídeo. (Imagem: Edição de arte. Foto: Acervo pessoal)

Documentário Digitando com um dedo: O Legado silencioso de Emílio Figueira à Inclusão de pessoas com deficiência no Brasil

BASEADO NO TEXTO DE DEISE TOMAZIN BARBOZA*

Nota do editor:

Antes de encerrar esta série em homenagem a trajetória e atuação de Emilio Figueira, quero destacar outro feito seu, também já noticiado aqui: o site Folhetins Emilianos. O multiprofissional da inclusão reúne um conteúdo autoral de quatro décadas de militância pelos direitos da pessoa com deficiência

O site Folhetins Emilianos , com obras literárias, infantis, juvenis, contos, novelas, romances e memórias, não só promove a inclusão de pessoas com deficiência visual na literatura, como serve de suporte ao ensino e prepara alunos como agentes de inclusão escolar.

“Nesses 40 anos, surgiu a internet e a autopublicação. Ao mesmo tempo em que todos ficaram livres para publicar seus livros para o mundo, paradoxalmente, cada autor virou sua própria e pequena ilha de leitores. Acredito que com o tempo, tornarei minha ilha Folhetins Emilianos em um continente literário e inclusivo”.

*DEISE TOMAZIN BARBOSA – Licenciada em Matemática e Pedagogia, especialista em Tecnologias Assistivas e Deficiências e mestre em Deficiências e Psicanálise. Gestora no Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Conteúdo do artigo
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    Boa leitura!

    Ato cinco: O humanista em seu quarto solitário

    Emílio Figueira sempre foi um curioso em aprender e a produzir intensamente. Edita seus próprios livros, o que lhe permite colocar grande parte de suas obras no campo da inclusão gratuitamente na internet. Como também cria todos seus sites e conteúdos. Dentro de suas possibilidades, atende a todos os pedidos de ajuda, seja virtual ou pessoal, gentilmente. Em sua caminhada e produção referentes às questões das pessoas com deficiência, raramente se importou em ser remunerado, atuando por ideologia, como se fosse um sacerdócio, uma missão que recebera ao vir para este mundo.

    Exemplo é seu site gratuito “Acervo Inclusivo” , espaço digital que reúne a produção desse autor e cientista desde os anos 1980. Perto de 700 textos, vídeos, livros digitais gratuitos, reportagens e matérias de época, artigos, colunas publicadas em vários veículos de comunicação alternativos e de massa. Dezenas de separatas de seus artigos científico, material sobre psicologia e pessoas com deficiência, teorias e práticas pedagógicas em Educação Inclusiva.

    “Sei que algumas coisas que faço, produzo ou escrevo podem apresentar erros. Só que, o feito é melhor que o perfeito escondido em uma gaveta. Sempre estarei em busca de resultados e não de reconhecimentos acadêmicos ou eruditos. E com os meus passos dentro das minhas possibilidades, com meus erros e acertos, continuarei fazendo a minha parte para uma Escola e uma Sociedade inclusiva!”, diz ele.

    Emilio Figueira está carregando uma porção de livros e sorrindo.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Emilio Figueira é um homem branco, calvo, com barba e bigode curtos. Usa óculos e camiseta branca. Está carregando uma pilha de livros e sorrindo. Ao seu lado direito há uma estante com outras obras e ao lado esquerdo, uma mesa de escritório com luminária. (Imagem: Reprodução. Foto: Acervo pessoal)

    Sua abordagem humanística está presente não somente nessa área, como em seus escritos literários, peças teatrais e produções audiovisuais. O que o levou recentemente a concorrer e ser eleito à cadeira 39 da tradicional Academia Paulista de Letras.

    Acreditando em um mundo melhor e igualitário. Como por exemplo, baseado em suas experiências pessoais, defende em seus escritos e palestras a Educação Inclusiva realizada pela afetividade:

    “Incluir não tem segredo. Basta receber um aluno, seja ele quem for. Acolher com amor, ter a sensibilidade de perceber e pesquisar o que ele realmente precisa de apoio para se desenvolver em todos os sentidos. Um bom professor precisa ser um suporte seguro que lança seus alunos rumo às infinitas possibilidades”.

    Figueira, por trabalhar na solidão de sua mesa, passa despercebido do cenário inclusivo nacional, assim como os fundamentais pioneiros, muitos com os quais Emílio conviveu e foi influenciado e hoje “repousam” serenos pelas paredes do Memorial da Inclusão aqui em São Paulo.

    Mesmo não tendo como mensurar, podemos imaginar que o trabalho individual de Emílio Figueira, foi se amplificando ao longo de quatro décadas. Por ser um cientista que escreve na linguagem simplificada de um jornalista, quantas e quantas pessoas foram e ainda são influenciadas pelos seus escritos impressos e digitais.

    Na área de Educação Inclusiva, sua produção didática, palestras, cursos online, permitem conhecimento e mudanças de mentalidades a milhares de professores, possibilitando a tantas crianças a serem incluídas nesses últimos anos.

    Tudo é o legado discreto de uma pessoa que superou sua própria deficiência, leva conhecimento desmistificando preconceitos, abre caminhos para seus pares em várias frentes sociais e colabora para uma Escola e sociedade realmente para todos, silenciosamente em seu quarto, digitando com um só dedo!

    Assista ao Documentário

    Sobre o autor

    Por causa de uma asfixia durante o parto, Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo independente.

    Como escritor, Emílio é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de setenta títulos lançados. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira foi professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva. Atualmente dedica-se a Escrever Roteiros e projetos audiovisuais.

    Rafael F. Carpi
    Rafael F. Carpi

    Jornalista, editor nas iniciativas Jornalista Inclusivo e PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social em 2006, foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em acessibilidade e inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência e redator na equipe Dando Flor.

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