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A escola pode perpetuar desigualdades, por Carolina Videira

Percebo que grande parte das pessoas estão mais conscientes das mudanças que precisamos fazer na forma como vivemos para diminuir a desigualdade no mundo. Movimentos na internet cobram mais responsabilidade social e ambiental de marcas, empresas e governos. Isso é ótimo! Mas olhar a questão apenas pela perspectiva do consumo e do assistencialismo não é o bastante para mudar o mundo.

Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte colorida com foto ilustra o artigo A escola pode perpetuar desigualdades. Imagem com fundo nas cores laranja claro, escuro e verde. Fotografia da Carolina Videira. Mulher de pele clara, cabelos escuros compridos e ondulados. Está sorrindo, com braços cruzados e usa camisa branca. Ao seu lado, o logo da Turma do Jiló. Créditos: Divulgação/Edição JI

“Precisamos cobrar das nossas escolas uma atuação inclusiva como cobramos empresas e marcas”

Reconhecida pela ONU, Carolina Videira é educadora mestre em neurologia, especialista em inclusão para diversidade e fundadora da OSC Turma do Jiló, que alerta: “A escola pode perpetuar desigualdades”

Percebo que grande parte das pessoas estão mais conscientes das mudanças que precisamos fazer na forma como vivemos para diminuir a desigualdade no mundo. Movimentos na internet cobram mais responsabilidade social e ambiental de marcas, empresas e governos. Isso é ótimo! Mas olhar a questão apenas pela perspectiva do consumo e do assistencialismo não é o bastante para mudar o mundo. Por exemplo, quando falamos sobre a escolha da escola do seu filho, você observa e exige a mesma postura consciente e inclusiva que procura nas marcas de produtos que consome?

Queremos que nossos filhos tirem notas altas que garantam vaga em uma boa universidade para que conquistem um bom lugar no mercado de trabalho. Estimulamos uma competição que emula separar os bem sucedidos dos fracassados desde a tenra idade, nivelando todos com uma régua torta e negando a uma boa parte dos alunos o direito de desenvolver suas habilidades. Nossa concepção de escola é exageradamente meritocrática, o que não nos permite perceber como a educação básica é essencial para a verdadeira mudança.

A escola e a família devem ser o primeiro lugar onde as noções de justiça, inclusão e diversidade precisam ser aplicadas para que os jovens cresçam com bons exemplos para replicá-los conscientemente em sociedade. Nenhuma criança é igual a outra, cada uma delas, invariavelmente, vai apresentar facilidades e dificuldades diferentes, e é papel das escolas valorizar e integrar as diferenças para que elas consigam superar seus próprios desafios. Olhar com atenção para essa questão é também uma forma de combater a desigualdade. Uma educação de qualidade precisa ser a base da vivência desse futuro melhor que queremos construir, formando cidadãos conscientes de seu impacto no mundo.

Turma do Jiló ilustra o artigo "A escola pode perpetuar desigualdades"
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia dentro de um salão, com diversas pessoas reunidas, entre adultos, jovens e crianças. A maioria usa camiseta com o logo Turma do Jiló, que também aparece sobre um pano preto ao fundo. As crianças e os mais jovens estão sentados no chão e os adultos estão atrás, em pé. Créditos: Reprodução/Turma do Jiló

Fora do Brasil, vemos experiências bem sucedidas com estudantes conectados com a realidade social, exercendo trabalhos voluntários como parte do aprendizado de novas competências, como empatia e solidariedade. Em muitos lugares é currículo obrigatório, além de contar pontos para as melhores universidades. No Brasil, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) já adotou habilidades socioemocionais para os currículos, mas ainda é problemático como isso se aplica nas escolas. A verdade é que os educadores têm pouco conhecimento sobre isso, e praticamente não existe um processo ou estímulo à formação continuada para apoiar os profissionais de educação a adquirirem métodos e habilidades a fim de inovar na educação, principalmente na esfera pública.

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Não podemos deixar de reconhecer os profissionais da educação que se esforçaram todos os dias para que a maioria não fosse deixada sem ensino durante a pandemia. Tem sido um trabalho heroico, mas não podemos romantizar as péssimas condições de trabalho que ficaram evidentes. Precisamos olhar para toda estrutura que chamamos de escola e agir no coletivo para transformar positivamente as relações interpessoais, trabalhistas e curriculares, de forma a levar mais justiça e igualdade de oportunidades para todos. Não há desenvolvimento real se não nos desenvolvermos todos juntos.

Em 2020, vimos um sistema de educação bastante frágil e desigual sendo abalado. Precisamos agir agora para mitigar as consequências e equilibrar as oportunidades, reinventando as maneiras de aprender e ensinar. Caso contrário, continuaremos a ver um futuro que repete o passado sistematicamente. Acredito que integrar e transformar a comunidade escolar junto aos nossos filhos, construindo modelos equânimes desde a base, seja o melhor caminho para uma mudança social profunda e urgentemente necessária. Tenho esperança, mas não no sentido de esperar que as coisas mudem, e sim, no agir para ser a mudança, como sabiamente nos ensinou Paulo Freire.

Você sabe como nasceu a Turma do Jiló?

A Turma do Jiló nasceu com o objetivo de promover atenção integral para pessoas com deficiência, a partir de crianças de 2 a 21 anos, na educação e na comunidade, através de apoio às escolas, públicas e particulares, provendo uma série de atividades planejadas que visam melhorar a qualidade da inclusão no sistema de educação do Brasil.

Nossa crença é de que educar, desenvolver talentos singulares e conviver com a diversidade produz mudança sustentável na vida das pessoas, das empresas e da sociedade. Assista ao vídeo abaixo, e faça parte dessa Turma!

Sobre a autora

Carolina Ramos Resende Videira – Presidente e fundadora da Turma do Jiló é Empreendedora Social, Mestre em Neurologia, CBA em Gestão empresarial pelo Insper, Especialista em Praticas Inclusivas e Gestão das Diferenças, Pesquisadora de Violência Escolar e Coordenadora de Pós Graduação Do Instituto Singularidades.

Sobre a Turma do Jiló

Associação social sem fins lucrativos, fundada oficialmente em 2015, tendo sua gestão realizada por Conselho não remunerado que visa implementar e garantir a Educação Inclusiva dentro das escolas públicas.

“ESCOLA ACESSÍVEL, ALEGRE E ABERTA PARA TODOS!”

O programa da Turma do Jiló é elo entre vários públicos de relacionamento no contexto escolar, para tornar este espaço uma referência em inclusão e desenvolvimento para a vida de todos os envolvidos.

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Logo colorido Turma do Jiló
Descrição da imagem #PraCegoVer: Logo da Turma do Jiló. Letras na cor laranja com contorno vermelho. Ao lado o desenho de um jiló, personificado, na cor verde. Usa óculos de grau, está sorrindo e com os braços abertos. Créditos: Divulgação

Visão

A criança e adolescente estão no topo de nossas prioridades. Procuramos entender suas reais necessidades e tornar nossos serviços parte importante na melhoria de sua qualidade de vida, sendo relevantes para real inclusão dessas na sociedade. Nossa crença é, de que educar, desenvolver talentos singulares e conviver com a diversidade, produz mudança sustentável na vida das pessoas, das empresas e da sociedade.

Missão

Educar, desenvolver talentos singulares e conviver com a diversidade produzindo uma mudança sustentável na vida das pessoas, das empresas e da sociedade.

Valores

  • Acolhimento
  • Igualdade
  • Equidade
  • Respeito
  • Integridade

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Jornalista Inclusivo

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Da Equipe de Redação JI
Editor responsável (MTB: 0089466/SP)

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