Bahia celebra 1ª Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência do Nordeste

Participantes da primeira edição da Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência em São Paulo.
No Farol da Barra em Salvador, a Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência é no domingo (21), com foco na equidade e na arte acessível. (Foto: Victor Rodrigues)

Encontro histórico reunirá pessoas com deficiência para promover inclusão e destacar a diversidade artística na capital baiana.

No próximo domingo, Salvador sediará a primeira Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência (PcD) da Bahia. A iniciativa, organizada pela Ong Vale PcD e pelo coletivo Quilombo PcD, terá início às 12h no Farol da Barra. Este evento estabelece um novo marco para a capital baiana, tornando-a a primeira cidade do Nordeste a realizar tal evento. Vale ressaltar que a Parada PCD  já foi realizada em São Paulo, em agosto de 2023.

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1ª Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência em Salvador

A vice-presidente da Ong Vale PCD , Julia Piccolomini, destaca a importância desta manifestação que une pessoas com deficiência e que valorizam a diversidade. “Para PcD, a ocupação começa nas ruas. A partir do nosso orgulho em mostrar quem somos e evidenciar que a falta de acessibilidade nos priva de demonstrar nosso potencial para a sociedade”, afirma.

Nordeste: Contextos e Realidades na Capital Baiana

Marcelo Zig, presidente do coletivo Quilombo PCD e morador de Salvador, enfatiza a relevância do evento ocorrer fora do eixo Rio/São Paulo, destacando que o Nordeste concentra a maior parte das PcD no Brasil, com predominância de pessoas negras.

Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência, ou seja, 8,9% da população total do país. No Nordeste, esse número chega a 5,8 milhões, representando 10,3% da população total daquela região. Quando analisamos a cor autodeclarada, observamos que 9,5% da população preta são pessoas com deficiência, enquanto esse percentual é de 8,9% entre os pardos e 8,7% entre os brancos.

No entanto, Marcelo Zig ressalta que as estatísticas alertam para um triste quadro em Salvador:

“Salvador não permite que a gente tenha direito pleno de participação social, cultural e de entretenimento. A Parada é importante para mostrar que não queremos caridade, mas sim respeito com a nossa humanidade e dignidade. Acredito que isso influencie por políticas públicas mais efetivas como, por exemplo, o real funcionamento da Lei Brasileira de Inclusão (LBI)”.

A Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015 ) tem como objetivo assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. No entanto, na prática isso não funciona.

Organizadores da Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência na primeira edição do evento.
Descrição alternativa: A imagem mostra as pessoas idealizadoras da Parada PCD, na primeira edição do evento. Elas estão em frente a um banner que celebra o orgulho e a resistência das pessoas com deficiência. Duas pessoas estão sentadas em cadeiras de rodas e uma delas falando ao microfone. Há três pessoas em pé, uma delas fazendo a interpretação em Libras. O banner ao fundo é branco com texto em preto e os logos do Quilombo PCD e ONG Vale PCD. Há uma faixa colorida, semelhante à bandeira do arco-íris LGBTQIAPN+, pendurada na frente do palco. (Foto: Victor Rodrigues)

Educação e Inclusão em Foco

A Parada do Orgulho PcD destaca-se por criar um espaço seguro para essa população, promovendo a adoção de práticas inclusivas. Recursos de acessibilidade, como audiodescrição e intérprete de Libras, estarão presentes em ambientes públicos, ressaltando a importância da diversidade e dessas ferramentas. A iniciativa não apenas celebra a diversidade, mas também educa pessoas sem deficiência sobre a importância dessas práticas para a inclusão e participação de todos.

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Arte e a Cultura PcD na Bahia

Um mapeamento de artistas com deficiência revela que a Bahia lidera na região Nordeste, contando com 17 artistas com deficiência, seguida pelo Ceará (10) e Pernambuco (6). No entanto, o projeto Arte & Acesso do Itaú Cultural, que mapeou 300 artistas em todo o país, destaca contradições. Muitos artistas enfrentam barreiras para expor seus trabalhos. 

Edu O., professor da Universidade Federal da Bahia, comenta sobre o capacitismo que exclui esses artistas. “Essa lacuna vai desde a formação profissional até o mercado de trabalho, que não sabe acolher pessoas com deficiência”, explica.

Por reconhecer essa discrepância, a Parada PCD de Salvador irá promover os trabalhos de artistas com deficiência, celebrando a diversidade da expressão artística e chamando a atenção para a falta de acessibilidade e inclusão no meio cultural.

ONG e Coletivo em União pela Inclusão e Diversidade

A ONG Vale PCD tem como missão promover a visibilidade e inclusão das pessoas com deficiência LGBTQIAPN+, enquanto o Coletivo Quilombo PCD acolhe pessoas negras e com deficiência. Ambas as organizações desempenham papéis essenciais na construção de uma sociedade mais inclusiva e diversificada.

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Serviço

1ª Parada do Orgulho de Pessoas com Deficiência em Salvador

  • Local: Farol da Barra
  • Endereço: Avenida Sete de Setembro, Praia do Farol da Barra, Salvador (BA)
  • Data: Dia 21 de janeiro de 2024 (domingo)
  • Horário: Concentração às 12h
  • Realização: ONG Vale PCD e Coletivo Quilombo PCD

A 1ª Parada PcD de Salvador promete ser um evento histórico, marcado pela celebração da diversidade, inclusão e pelo destaque à expressão artística das pessoas com deficiência. A cidade se prepara para receber essa iniciativa que busca transformar a realidade e promover uma sociedade mais justa e igualitária. 

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Rafael F. Carpi

Editor na Jornalista Inclusivo e na PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social (2006), foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência, e redator na equipe Dando Flor e na Pachamen Editoria.

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