Especialista explica a relação entre violência urbana e perda auditiva

Foto de pessoa com cartaz de protesto ilustrando a relação entre violência urbana e perda auditiva. Descrição detalhada na legenda, abaixo.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em área externa, ilustrando a relação entre violência urbana e perda auditiva. Na imagem, em meio a um protesto, pessoa de pele branca e cabelos curtos grisalhos usa máscara de proteção e segura um cartaz com a frase: “Chega de violência contra os surdos”. A palavra “violência” está riscada em vermelho. Dividindo a frase em duas sentenças há o desenho de uma orelha, dentro de um círculo, com uma letra xis vermelha. Na lateral esquerda há um homem negro, entre outras pessoas em segundo plano. (Foto: Michelle Guimarães. Créditos: Pexels / Editada)

“Sem ouvir direito, eles estão menos atentos a assaltos, golpes e ao trânsito nas ruas”, alerta fonoaudióloga sobre a violência urbana e perda auditiva

Os casos de violência saltam aos olhos por todo o Brasil. E mesmo que muita gente ainda não tenha percebido, além da visão, a audição é um sentido primordial para a nossa segurança. Ouvir bem ajuda a alertar sobre um perigo nas ruas ou no trânsito, despertando nosso reflexo de reação e autodefesa frente ao risco de assaltos, arrastões, batidas de carro e atropelamentos. Até os golpes praticados por bandidos, pelo telefone – como os falsos sequestros – são mais fáceis de serem aplicados se a pessoa não escuta bem e não percebe que é trote.

Não ouvir pode ser muito perigoso, uma vez que os sons servem de alerta ao ser humano. Quem tem perda auditiva e não usa um aparelho auditivo, não ouve, por exemplo, alguém gritando seu nome para alertá-lo de algum perigo, ou a buzina de um carro, ou uma sirene tocando em caso de incêndio. Pode até mesmo ser difícil compreender o anúncio de um assalto. Com certa frequência a imprensa relata violência envolvendo pessoas com perda auditiva que não ouviram e, assim, não compreenderam a gravidade de uma situação.

Foi o caso de Luciano, que estava no carro parado no sinal de trânsito, com os vidros abertos, na zona leste de São Paulo. Ele viu quando dois homens se aproximaram pelo lado do passageiro e, de repente, sentiu algo na cabeça e percebeu que tinha levado um tiro de raspão. Por causa da deficiência auditiva, o homem não compreendeu o que assaltante dizia.

Foto de pessoas em movimentado cruzamento em via pública.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em área externa, ilustrando a relação entre violência urbana e perda auditiva. A imagem mostra diversas pessoas atravessando o cruzamento de uma rua movimentada. (Foto: Andre Moura. Créditos: Pexels)

Em outro caso, também em São Paulo, quatro criminosos entraram em um ônibus e anunciaram o assalto. Eles roubaram o dinheiro do cobrador e dos passageiros, mas uma pessoa com perda auditiva que não teria entendido o que acontecia, acabou falecendo.

Em Pernambuco, um adolescente de 17 anos estava a caminho do colégio para buscar a irmã quando, a 400 metros do local, foi abordado por homens numa moto que anunciaram o assalto. Como o jovem tinha perda auditiva, não entendeu e reagiu. Levou quatro facadas e faleceu no local.

Dentro de casa os perigos também são reais para quem tem problemas de audição. Ao colocar água para ferver em uma chaleira, por exemplo, o indivíduo pode não ouvir o chiado da panela. Ao dividir a casa com seus familiares, pode não ouvir o pedido de socorro caso alguém caia ou passe mal em um outro cômodo.

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“A pessoa com perda auditiva está totalmente a mercê de infinitos perigos urbanos e domésticos. E o que vai resguardá-lo desses contratempos e resgatar a sua qualidade de vida é procurar a ajuda de um médico otorrinolaringologista ou um fonoaudiólogo para começar a usar aparelhos auditivos, se for o caso”, afirma a fonoaudióloga Rafaella Cardoso, especialista em Audiologia e Vendas na Telex Soluções Auditivas.

Em média, uma pessoa demora sete anos para procurar ajuda médica e tratar a dificuldade de ouvir. Caso seja necessário o uso de aparelho auditivo, um fonoaudiólogo indicará o modelo mais adequado.

“Há uma grande diversidade de modelos no mercado atualmente, com alta tecnologia e design inovador, discretos e confortáveis. Alguns são tão pequenos que quase passam despercebidos. Melhorar a audição é muito mais do que conforto, é proporcionar segurança, voltar a ter a capacidade de se envolver plenamente com a vida, com as pessoas e com as situações ao redor”, conclui a fonoaudióloga da Telex.
Rafael Ferraz
Rafael Ferraz

Comunicador social pela Faculdade Prudente de Moraes (2006), é editor e idealizador da Jornalista Inclusivo. Atua com jornalismo digital e como consultor em acessibilidade e inclusão. Tem experiência como repórter em rádio AM e jornais impressos, assessor de imprensa, executivo de contas e como fotógrafo em navios de cruzeiros. Como tetraplégico e ativista pelos direitos da pessoa com deficiência, é comprometido em promover inclusão e acessibilidade em todos os aspectos da sociedade.

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