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Dia Mundial do Braille 2022 e o risco da desbrailização

Foto de mão fazendo leitura, com sobreposição de texto: 04 de janeiro, Dia Mundial do Braille 2022, ilustrando artigo sobre a desbrailização.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, pelo Dia Mundial do Braille 2022, ilustrando o risco do fenômeno da desbrailização. No canto esquerdo superior, sobreposição do nome Braille, em letras grandes, e a data “04 de janeiro”, em letras pequenas. A fotografia mostra em detalhes duas mãos fazendo a leitura de um documento em braille. Foto: Tony Redmond | Créditos: Edição JI

Utilize os recursos de Acessibilidade Digital da EqualWeb clicando no botão redondo flutuante, na lateral esquerda. Para a tradução em Libras, acione a Maya, tradutora virtual da Hand Talk , no ícone quadrado à direita. Para ouvir o texto com Audima utilize o player de narração abaixo.

O Dia Mundial do Braille reforça a importância da alfabetização de pessoas cegas ou com baixa visão com um alerta: a desbrailização

Celebrado anualmente em 04 de janeiro, o Dia Mundial do Braille reforça a importância da alfabetização de pessoas cegas ou com baixa visão. O Sistema Braille nasceu na França, em 1825 e a linguagem foi criada por Louis Braille, que perdeu a visão aos três anos de idade. Aos 20 ele desenvolveu um alfabeto que possibilita a escrita e leitura, através da combinação de 1 a 6 pontos entre si.

Até hoje, o Sistema Braille é a única forma de alfabetização de crianças cegas ou com baixa visão, pois incentiva o contato direto com textos escritos, além de acionar a mesma área do córtex cerebral que é utilizada com a leitura visual. Por se tratar de uma forma universal de escrita, também pode ser adaptado a diversos alfabetos do mundo – recentemente, ganhou escrita Guarani, no Paraguai.

Nos últimos anos, porém, a tecnologia vem se sobrepondo a essa linguagem. Os recursos digitais, ao mesmo tempo que ajudam na educação e profissionalização de pessoas com deficiência visual, se tornam um risco para extinção do Sistema Braille, pois promovem outras formas de leitura.

“Mais do que nunca precisamos abraçar os recursos tecnológicos voltados à acessibilidade e utilizar essas ferramentas. No entanto, não podemos deixar de lado o Sistema Braille, que há quase 200 anos vem contribuindo para o aprendizado das pessoas cegas ou com baixa visão. É necessário entender que este método ainda é a forma mais importante de autonomia que as pessoas com deficiência visual podem ter”, comenta Regina Oliveira, Coordenadora de Editorial e Revisão da Fundação Dorina

Foto de Regina Oliveira, pessoa com deficiência visual, ilustrando artigo sobre Dia Mundial do Braille.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia de Regina Oliveira, coordenadora de revisão em Braille da Fundação Dorina Nowill. Mulher branca de cabelos curtos, na altura dos ombros. Está parada em frente a uma parede amarela, e veste camisa azul e óculos escuros. Com deficiência visual, ela segura uma bengala que utiliza para se locomover. Créditos: Divulgação Dorina Nowill

Fredric K. Schroeder, vice-presidente da Federação Nacional dos Cegos dos EUA, vem alertando para o fato de que cerca de 90% das crianças cegas americanas já estão crescendo sem aprender a ler e escrever. Para ele, isso acontece justamente porque elas estão optando por recursos digitais em detrimento ao Braille, preferindo uma leitura passiva e não estimulante – um fenômeno que muitos chamam de desbrailização

Se essa realidade não for mudada, em breve todas as crianças que nascerem cegas ou que perderem a visão na primeira infância, serão consideradas analfabetas funcionais. Por isso, o papel da sociedade é importante, pois, ao incentivar a alfabetização em Braille, o aluno passa a ter autonomia, e vai aprender ortografia e toda a simbologia das diferentes áreas do conhecimento (português, matemática, física etc.).

Dia Mundial do Braille 2022 e a deficiência visual no mundo

Introduzido no Brasil com ajuda do professor José Álvares de Azevedo, considerado patrono da educação de cegos no País, o Sistema Braille é utilizado no mundo todo como linguagem formal entre a comunidade cega, que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) corresponde a cerca de 36 milhões de pessoas. Outros 216 milhões têm deficiência visual moderada ou grave.

De acordo com o relatório mundial sobre visão publicado pela OMS em 2019 , globalmente, pelo menos 2,2 bilhões de pessoas têm uma deficiência visual ou cegueira, das quais pelo menos 1 bilhão delas tem uma deficiência visual que poderia ter sido evitada ou que ainda não foi tratada. Só no Brasil são mais de 6,5 milhões de pessoas nessas condições. 

A Organização das Nações Unidas (ONU) avalia que pessoas com deficiência correm maiores riscos de sofrerem com as desigualdades, problemas de saúde e dificuldades de acesso à educação e trabalho. Por isso, é necessário investir em projetos de integração e inclusão dessa população.

As principais causas para a cegueira são a catarata, retinopatia diabética, degeneração muscular, glaucoma, cegueira infantil.

Mulher com deficiência visual fazendo leitura em Braille, pelo Dia Nacional do Livro 2021. Descrição detalhada na legenda, abaixo.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia com sobreposição do logotipo da Fundação Dorina Nowill para Cegos, no canto direito superior. A imagem é de uma mulher com deficiência visual que está sentada fazendo a leitura de um livro em Braille. Ela é branca tem cabelos loiros na altura dos ombros. Usa blusa vermelha e sorri. Foto: Reprodução/Blog Fundação Dorina | Créditos: Edição JI

SOBRE A FUNDAÇÃO DORINA

A Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma organização sem fins lucrativos e de caráter filantrópico. Há 75 anos se dedica à inclusão social de crianças, jovens, adultos e idosos cegos e com baixa visão. A instituição oferece serviços gratuitos e especializados de habilitação e reabilitação, dentre eles orientação e mobilidade e clínica de visão subnormal, além de programas de inclusão educacional e profissional.

Responsável por um dos maiores parques gráficos de braille no mundo, com capacidade de impressão de até 450 mil páginas por dia, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é referência na produção e distribuição de materiais nos formatos acessíveis braille, áudio, impressão em fonte ampliada e digital acessível, incluindo o envio gratuito de livros para milhares de escolas, bibliotecas e organizações de todo o Brasil.

A instituição também oferece uma gama de serviços em acessibilidade, como cursos, capacitações customizadas, sites acessíveis, audiodescrição e consultorias especializadas. Com o apoio fundamental de colaboradores, conselheiros, parceiros, patrocinadores e voluntários, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é reconhecida e respeitada pela seriedade de um trabalho que atravessa décadas e busca conferir independência, autonomia e dignidade às pessoas com deficiência visual.

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RFerraz Carpi

RFerraz Carpi

RFerraz Carpi – Editor (MTB: 0089466/SP) e fundador do Jornalista Inclusivo. Formado em Comunicação Social (2006), responsável pelo conteúdo, edição e publicações. Autor do projeto Jornalista Inclusivo (JI) nas redes sociais e na Web, foi repórter em jornais impressos e rádio AM, fotógrafo em navios internacionais de cruzeiro e assessor de imprensa. É ativista social, criador de conteúdo digital acessível e redator web.

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2 Comments

  1. Canal Inclunet

    Essa matéria é bastante relevante e não deveria sair do debate público. O Braille é de longe a ferramenta mais importante para a educação de pessoas cegas no mundo!

    No nosso canal fizemos uma playlist super legal com alguns vídeos falando sobre esse sistema que talvêz contribua com esse assunto. esperamos que gostem.

    segue o link: https://youtu.be/YEfe40GIrdI

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