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Mobilidade independente: Quando começa?

Mobilidade independente: Quando começa?

Descrição da Imagem #PraCegoVer: Homem adulto de pele clara está agachado e estendendo a mão para uma criança. O homem tem cabeça raspada, barba, e usa óculos. Veste camisa xadrez, calça jeans e tênis cinza. A criança tem pele clara e cabelos loiros. Está sentada em um carrinho de criança, miniatura de carro convencional, na cor vermelha. Fim da descrição | Foto: Reprodução/ blogs.oregonstate.edu

Toda criança precisa aprender se mover sozinha, independente da maneira

Neste artigo da coluna “Sem Filtro & Com Afeto”, a fisioterapeuta neurofuncional Carol Nunes explica que uma criança não deve ser empurrada o tempo todo. Entenda o porquê:

Continuando o assunto de mobilidade independe, gostaria de dar um pouco de atenção à um público especial, e que tem tanta necessidade em se mover sozinho como qualquer outro ser humano. O grupo dos bebês

Estamos acostumados a ver adolescentes e adultos se locomovendo em suas cadeiras de rodas, mas quando falamos de bebês, a realidade é um pouco diferente. Não costumamos ver bebês pequenos, em torno de um ano ou mais se movimentando sozinhos em suas cadeirinhas. 

O que sabemos hoje é que uma criança precisa aprender a se mover de um ponto a outro sozinha. Independe da maneira que for. Um bebê típico aprenderá a se arrastar, engatinhar e por fim andar, alcançando seus objetivos. Mas e uma criança com desenvolvimento atípico? Ela também precisa se mover para construir sua independência. 

Alguns estudos nos mostraram que há ligação entre mobilidade independente e desenvolvimento cognitivo, social, motor e linguagem. 

É uma oportunidade da criança criar laços e conexões com seus pares, sem precisar da intervenção de um mediador, que quase sempre são os pais ou professores. É uma oportunidade poderosíssima da criança decidir em que contexto deseja estar, com que pessoas deseja se relacionar e em quais brincadeiras e atividades gostaria de estar inserida. 

E quando falamos em mobilidade independente na infância, precisamos dar uma atenção muito especial às crianças com deficiências motoras mais graves. Com nível GMFCS IV e V. Crianças com um prognóstico de marcha não tão fácil. Mas que apesar da gravidade de sua deficiência, também tem o direito de aprenderem a se mover sozinhas. E construir todos esses níveis do desenvolvimento infantil. 

Mobilidade Independente
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Criança do sexo masculino de pele negra está sentada em uma miniatura de carro customizado vermelho, com adereços do Homem-aranha. Ele está sorrindo, veste casaco azul, e está olhando para a câmera. Ao seu lado está uma mulher abaixada e interagindo com o menino. Ela tem pele branca e cabelos pretos compridos. É possível também um homem ao seu lado, de pele branca e barba, vestindo camiseta azul. Fim da descrição | Foto: UNF Adaptive Toy Car/Michael Herrera/Reprodução

Mobilidade Independente Motorizada

Diante disso, portanto, devemos considerar como principal opção a mobilidade motorizada

A mobilidade motorizada deve sempre acrescentar coisas legais na vida da criança, e nunca dificultá-la ou limitá-la. A mobilidade motorizada deve aumentar o nível de participação dessa criança, principalmente em lugares ou atividades em que não consegue tocar a cadeira independentemente ou mesmo andar com seu andador sem auxílio. 

A criança não deve ser empurrada o tempo todo. Ela precisa ter autonomia. Ser empurrada é um mecanismo muito mais passivo do que conduzir sua cadeira motorizada. Ser empurrado de um lugar para o outro é fundamentalmente diferente de ter controle ativo sobre a própria exploração, que é onde os ganhos de desenvolvimento são vistos. 

Bom ressaltar que, mesmo com mobilidade motorizada, a criança deve continuar se exercitando e realizando suas terapias (ser estimulada à marcha com os devidos dispositivos, posturas em pé, atividades adaptadas, etc) para não desenvolver comportamentos sedentários, que não são bons para nenhum indivíduo. 

Além dos benefícios de mobilidade independente estamos oferendo às crianças oportunidades de brincarem, se divertirem, participarem de um grupo, e principalmente de serem simplesmente crianças. 

mobilidade independente _ go baby go
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Duas fotografias dentro de um retângulo com o título em inglês: Go Baby Go (em português Vai Bebê Vai). No canto esquerdo, dentro de um retângulo vertical está escrito em inglês Cerebral Palsy Foundation (em português Fundação Paralisia Cerebral. Na foto do lado esquerdo um bebê de pele branca e cabelos loiros está sentado em um carro vermelho em miniatura. Ele veste camiseta listrada. Na foto do lado direito, uma bebê de pele morena e cabelos pretos está sebtada em uma miniatura de carro rosa. No rodapé da imagem está a frase em inglês, com a seguinte tradução: Go Baby Go é um programa que oferece carros modificados e adaptados a crianças com deficiências, para que possam se mover independentemente. Fim da descrição | Foto: Reprodução/ www.yourcpf.org

Mobilidade Independente – Go Baby Go

Aproveitando que o tema é a mobilidade motorizada na infância, vocês sabiam que existe um programa de adaptação de carros elétricos para uso de crianças pequenas com deficiência? 

O programa chama-se “Go Baby Go” . Ele consiste basicamente em se adaptar carrinhos elétricos, esses encontrados em lojas de brinquedos, e torná-los um instrumento extremamente fácil e funcional para crianças pequenas manejarem e se movimentarem. 

O Go Baby Go foi fundado pelo professor Cole Galloway, como parte de um projeto de pesquisa da Universidade de Delaware (EUA). Mas os pesquisadores treinaram voluntários em mais de 40 comunidades, nacional e internacionalmente, e expandiram sua disponibilidade, tornando o programa acessível mundialmente. 

Esses carros de brinquedo modificados dão a crianças com deficiência a chance de brincarem e socializarem com seus colegas mais facilmente. E além desses benefícios, esperamos que os carros de passeio proporcionem às crianças a chance de serem apenas crianças.

Não há dispositivos disponíveis comercialmente para esse público tão jovem. Além do que, cadeiras de rodas motorizadas costumam ter valores muito elevados e não acessíveis a grande maioria das famílias, e essas crianças acabam tendo acesso à suas cadeiras já mais velhas. 

Mobilidade Independente - Go Baby Go
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Criança do sexo feminino de pele branca está vestindo blusa rosa e capacete rosa, protegendo a cabeça. Ela está sentada em uma miniatura de carro, do tipo réplica, na cor roxa. E na placa do carro está escrito o nome Finley. Fim da descrição | Foto: Reprodução/Go Baby Go

Os carros modificados proporcionam independência a uma idade muito mais jovem e com um custo relativamente menor. 

A maioria dos trabalhos personalizados não é barata, mas aqui a maioria das modificações envolvem tubos de PVC, macarrão de piscina e pranchas de isopor. Materiais com custo baixo. 

Cada carro adaptado é ao mesmo tempo uma ferramenta potente de terapia e o brinquedo mais legal de todos os tempos. 

Assim, atualmente temos opções atingíveis e divertidas para que TODAS as nossas crianças tenham acesso a serem efetivamente crianças. Incluindo crianças com deficiências motoras, intelectuais, visuais e qualquer tipo de deficiência. 

“A mobilidade autodirigida é um direito humano fundamental” – Samuel W. Logan

Podemos concluir que estimular nossas crianças a se movimentarem o quanto antes é o melhor que podemos fazer por elas. É a maior ação em função da participação dessa criança. É a maior ação em função do exercício efetivo de sua infância. 

Fechando assim o circuito da mobilidade independe, afirmo que todo ser humano, independente da idade, tem direito a socialização e participação. E se quisermos construir um mundo mais diverso para nossos filhos precisamos entender que o direito de ir e vir começa na infância e irá impactar pelo resto de nossas vidas! 

Carol Nunes

Carol Nunes

Formada em Fisioterapia, Ana Carolina tem especialização Neurofuncional com enfoque Neuropediatrico. É coordenadora do setor Neurofuncional da clínica Fisiocenter, em Itu (SP), onde atende como Fisioterapeuta. No site Jornalista Inclusivo é responsável pelo espaço "Sem Filtro & Com Afeto".

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