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Puerpério: Encontro & Vínculo Afetivo

Puerpério: Encontro & Vínculo Afetivo
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Fotografia ilustra o texto sobre Puerpério, tirada do alto mostrando uma mulher segurando um bebê recém-nascido. Só é possível ver a cabeça da mulher, com cabelos pretos, e seus braços, vestindo blusa vermelha. O bebê está nu, sobre os braços da mulher, e sua cabeça sobre as mãos dela. No canto superior esquerdo da foto, há um adereço gráfico na cor dourada, que é o contorno de uma mulher e um bebê, e logo abaixo está escrito: Agosto Dourado. Fim da descrição. Foto: Designed by Freepik

Agosto Dourado: A importante e rica experiência do período pós-parto

Em seu novo artigo, a Psicóloga e Doula Acessível em Libras, Rafaela Costa fala dos cuidados especiais do Puerpério para um vínculo afetivo saudável da dupla mãe-bebê

Psicologia Inclusiva
Rafaela Costa

 É chegada a hora do nascimento, momento tão importante, quanto à fase do pré-natal.

Finalmente, mãe e seu bebê se beneficiam do encontro proporcionado pelo imediato contato pele a pele e amamentação ao peito, logo após o nascimento, ainda no hospital. A puérpera, mesmo tendo vivenciado os nove meses da gestação, desde a concepção, passando pelo seu desenvolvimento em útero, até a hora do nascimento, está se reorientando psiquicamente, porque representa um marco no processo de construção da maternidade.          

Neste sentido, o pediatra e psicanalista D. W. Winnicott (1999, p. 4), afirma:

A natureza, no entanto, decretou que os bebês não possam escolher suas mães. Eles simplesmente aparecem, e as mães tem o tempo necessário para se reorientar e para descobrir que, durante alguns meses, seu oriente não estará localizado a leste, mas sim no centro (ou será um pouco fora do centro?).

Sendo assim, a mãe precisa desfrutar do maior tempo possível com o recém-nascido, principalmente nas primeiras horas de vida extrauterina, desde que ela esteja disposta a essa experiência. Assim, é possível observar à dupla mãe-bebê, o gesto espontâneo de cuidado, as poucas palavras ditas por ela em baixo tom que produzem o efeito de acolhimento, o modo como brinca com ele e o início da amamentação.

E falando em aleitamento materno, preciso concordar com Winnicott, a amamentação não é somente uma questão de alimentação, pois fornecer o leite materno é apenas uma das facetas do aleitamento, ou seja, “o não alimentar constitui a base do alimentar” (Winnicott, 2006, p. 45).

Puerpério: Encontro & Vínculo Afetivo
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Bebê recém-nascido de pele clara está no colo da mãe sendo amamentado. O bebê está com uma das mãos sobre o seio da mulher. Ela veste camiseta azul claro esverdeado, e só mostra parte de seu rosto, queixo e boca. Fim da descrição. Foto: Reprodução/ Sem filtro de licença.

Puerpério: Período essencial

Assim, no período puerpério não há dúvidas sobre os notáveis benefícios do aleitamento materno tanto para o recém-nascido quanto para a puérpera. O desenvolvimento de vínculo afetivo saudável encontra-se no centro da interação binômia mãe-bebê, como também, significa o princípio do contato com a realidade e o início da constituição de um si mesmo.

Entretanto para Winnicott (1971, p. 154-155), o desejo e o olhar da mãe, na interação binômia, reflete o bebê a fim de que ele se reconheça nesse olhar materno. Se o bebê não encontra (enxerga) a ele mesmo no olhar materno, isso pode ter consequências que atrapalhem o seu desenvolvimento. Haverá dificuldade para que o bebê possa construir a imagem de si mesmo.

Há um ditado que diz que a primeira impressão é a que fica. Então, dependendo de como o vínculo inicia-se desde o nascimento do bebê, se estenderá por muito tempo.

Mãe amamentando bebê recém-nascido
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Mulher de pele clara e cabelos longos pretos amarrados está sentada sobre a cama, com as duas pernas cruzadas. Ela está nua com segurando um bebê recém-nascido. Ele está amamentando e com mão direita sobre o seio esquerdo da mulher. Fim da descrição. Foto: Designed by cookie_studio / Freepik

No Brasil, há mais de 30 anos as campanhas tem incentivado a manutenção do aleitamento materno como único alimento infantil até o 6º mês de vida da criança e, consequentemente, trabalha a prevenção da recusa e desmame precoce (OMS, 1982). Visto que constatou que a amamentação tem sido uma das principais dificuldades encontradas pela lactante devido as questões sociais, culturais, emocionais e estéticas.

O uso recomendado do leite materno é até o 24º mês ou mais, porém a partir do 7º em combinação com outros alimentos.

Agosto Dourado

O Congresso Nacional Brasileiro sancionou a Lei nº 13.435/2017 (BRASIL, 2017), o Mês do Aleitamento Materno e intitulando-o como Agosto Dourado. Visto que é um mês que fala com quase toda a população, porque a maioria das pessoas teve o leite materno como primeiro alimento. A amamentação e seus desdobramentos têm sido um assunto que faz parte das inquietações da mulher contemporânea, por isso recomendo buscar profissionais habilitados no assunto para uma promoção eficaz da amamentação.

Mãe, amamente, aleite, dê de mamar, alimente, nutra, sustente seu bebê.

Referências

BRASIL. Lei nº 13.435, de 12 de abril de 2017: Institui o mês de agosto como o mês do aleitamento materno. Diário Oficial da União, Seção 1, p. 1, 2017.

OMS. Organização Mundial de Saúde. A prevalência e a duração da amamentação: uma revisão crítica das informações disponíveis. World Health Stat Q, n. 25, p. 92-116, 1982.

SAPIN-LIGNIÈRES, S. Nasceu e agora?: descubra os segredos da orientadora perinatal dos famosos para criar um bebê feliz. Rio de Janeiro: HarperCollins Brasil, 2018.

WINNICOTT, D. W. O Ambiente Saudável na Infância. In: WINNICOTT, D. W. Os bebês e suas mães. Tradução de Jefferson Luiz Camargo, revisão técnica Maria Helena Souza Patto. 3ª. Ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006, p. 51-59. (Trabalho original publicado em 1968).

WINNICOTT, D. W. O Papel de Espelho da Mãe e da Família no Desenvolvimento Infantil. In: WINNICOTT, D. W. O Brincar e a Realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1971, p. 153-162.

WINNICOTT, D. W. Os bebês e suas mães. 2ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Rafaela Costa

Rafaela Costa

Psicóloga Acessível em LIBRAS, em Recife (PE), Rafaela é Tradutora Intérprete de LIBRAS na Secretaria de Educação do Estado de PE. É formada em Psicologia, Especialista em Rede de Atenção Psicossocial, Autismo e Deficiência Visual, formada em Surdocegueira, e Tiflologia. Com Especialização em Educação Inclusiva, e Certificação em Proficiência em LIBRAS e Pedagogia, comanda a coluna "Recortes da Psicologia Inclusiva".

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