Criança autista em festa junina: Minimizando impactos

Uma criança autista em festa junina. Está com as mãos fechadas, tampando o rosto, demonstrando estar incomodada. Ela é negra, usa chapéu de palha e camisa xadrez. Ao fundo a imagem desfocada com bandeirinhas, fogueira, mesas e outras pessoas.
Entenda o papel da terapia multiprofissional e quatro dicas para minimizar impactos sonoros e visuais para a criança autista em festa junina. (Foto: Bing Image Creator/ Microsoft)

Psicóloga explica sobre a hipersensibilidade e como ajudar a criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nesta época de festividades e fogos de artifício.

As festas juninas são momentos de celebração e alegria, com seus elementos tradicionais, como danças, comidas típicas e, é claro, os fogos de artifício. No entanto, é importante considerar esses estímulos em crianças autistas, que podem enfrentar a hipersensibilidade.

Neste artigo, discutiremos sobre o impacto dos fogos de artifício em crianças com autismo durante as festas juninas, assim como estratégias para ajudá-las a aproveitar esses eventos sem desconforto.

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Boa leitura!

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Criança autista em festa junina

Os fogos de artifício são um dos principais elementos das festas juninas. Entretanto, eles acabam causando alguns impactos negativos em crianças diagnosticadas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Durante essas festas, a iluminação e o som intenso causado pela explosão desses artefatos podem provocar sensações desagradáveis, tanto no corpo como na mente dos pequenos.

A psicóloga, neuropsicopedagoga e coordenadora do curso de Psicologia do Uninassau – Centro Universitário Maurício de Nassau Paulista, Márcia Karine Monteiro, explica que as crianças autistas apresentam algumas particularidades que, em determinadas épocas do ano, precisam ser observadas com mais cuidado.

As particularidades da neurodiversidade

“As festas juninas são um exemplo, pois o cenário vivenciado é diferente do habitual. As mudanças na rotina precisam ser conversadas, explicadas e orientadas. As celebrações contam com muitos barulhos e ainda há os fogos de artifício”, ressalta.

Algumas pessoas com TEA sofrem com a hipersensibilidade. Ou seja, elas têm dificuldade de controlar a quantidade de estímulos que tentam processar ao mesmo tempo. Dessa forma, quando as crianças são expostas ao barulho e luzes dos fogos, tudo se torna ainda mais intenso, sobrecarregando seus sistemas sensoriais.

“Por isso, é recomendado que as famílias façam esforços para que os pequenos possam aproveitar a festa junina sem sofrer com os desconfortos e desagrados provocados pelo forte som e pela iluminação intensa”, diz a psicóloga.

A importância do suporte multiprofissional

Existem maneiras simples de minimizar os impactos desses estímulos, como camuflagem de ruídos, guias sensoriais ou audioguia. Todos os cuidados e estratégias ajudam a deixar as comemorações mais acessíveis para as crianças autistas, possibilitando que elas aproveitem essa divertida e colorida festa.

“O trabalho terapêutico da equipe multiprofissional auxilia na melhor adequação desses pequenos diante dos desafios do dia a dia, trabalhando com o som, os possíveis acontecimentos e os medos para que o impacto seja menor quando a situação de estresse for vivenciada. Cada criança reage de uma maneira, de acordo com seu nível de suporte (grau do autismo). A conscientização da sociedade é necessária, bem como o respeito pelas crianças também”, explica Márcia.

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Minimizando impactos: Dicas de preparo

A Adapte Educação , plataforma de capacitação de familiares e profissionais para ensinar pessoas com neurodesenvolvimento atípico, existem algumas estratégias que podem ajudar crianças autistas a aproveitar as festas juninas sem desconforto. Algumas dicas incluem:

1. Fazer com que a criança vista a roupa de caipira por alguns momentos em casa, para verificar se algo relacionado à textura da roupa a incomoda.

2. Dançar a quadrilha com a criança em casa, para que ela se adapte à música e às coreografias.

3. Utilizar imagens e vídeos de festas juninas para familiarizar a criança com o dia da festa, com as brincadeiras e com o ambiente.

4. Verificar o quanto a criança está receptiva aos barulhos de bombinhas e fogos de artifício. É recomendável levar um fone abafador de som para a festa.

Essas são apenas algumas das estratégias que podem ser utilizadas para ajudar crianças autistas a aproveitar as festas juninas sem desconforto. 

Conscientização da neurodiversidade

Tradicionalmente, as festas juninas começam no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio, e encerram no dia 29 de junho, dia de São Pedro. Já nos dias 23 e 24 é celebrado o dia de São João. Essa é uma época de alegria e diversão para todas as pessoas, incluindo crianças autistas. Mas é crucial considerar suas necessidades específicas, especialmente em relação aos fogos de artifício.

A sensibilidade sensorial dessas crianças exige medidas para minimizar os impactos do som intenso e das luzes brilhantes. Mas com estratégias adequadas é possível proporcionar uma experiência prazerosa durante as comemorações. Além disso, o suporte multiprofissional desempenha um papel fundamental no auxílio, preparando essas crianças para lidar com situações estressantes.

Entretanto, à medida que aumentamos a conscientização e o respeito pela diversidade de pessoas autistas, garantimos que toda a sociedade – sem exceções – possa desfrutar plenamente de todas as festas e comemorações.

Jornalista Inclusivo
Jornalista Inclusivo

Da Equipe de Redação

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