#DescriçãoDaImagem: Fotografia horizontal de seis pessoas em pé, sorrindo, atrás de uma mesa branca. Sobre a mesa, há duas caixas de acrílico transparente contendo dezenas de caixas dos óculos Ray-Ban Meta. Ao fundo, duas telas grandes mostram o rosto de uma pessoa usando os óculos brancos. Da esquerda para a direita, estão: Manuel Del Pino (Head de Campanhas em Políticas Públicas LATAM/Meta), Mag Kang (Gerente de Estratégia e Relações/Meta), Carolina Mi (Gerente de Programas/Meta), Beto Pereira (Presidente da ONCB, de terno e óculos escuros), Mario Vilhena (Gerente de Políticas Públicas/Meta) e Carlos Ferrari (Secretário Geral da ONCB). Fim da descrição. (Foto: Divulgação/ONCB)
Em parceria inédita com a Meta, Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) distribuirá 100 óculos com inteligência artificial para mapear o impacto da tecnologia vestível na rotina de pessoas com deficiência visual.
O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado em 21 de setembro, foi marcado por um passo importante na intersecção entre tecnologia de ponta e acessibilidade no Brasil. A Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), em parceria com a Meta, anunciou a distribuição de 100 óculos inteligentes Ray-Ban Meta para pessoas cegas e com baixa visão nas cinco regiões do país. Mais do que uma doação, a iniciativa propõe um “laboratório vivo”: colocar a inteligência artificial no cotidiano de quem realmente precisa dela para validar sua eficácia no mundo real.
Os dispositivos, equipados com a assistente Meta AI, permitem que os usuários ouçam descrições de ambientes, leiam textos, identifiquem objetos e acessem informações por meio de comandos de voz, mantendo as mãos livres. Para a comunidade com deficiência visual, isso significa um salto na autonomia para tarefas cotidianas, como ler um cardápio, identificar produtos em um supermercado ou compreender a dinâmica visual de um espaço não mapeado.
Tecnologia como complemento, não substituição
Em vídeo publicado nas redes sociais da ONCB para marcar o lançamento da ação, o presidente da organização, Beto Pereira, foi categórico ao afastar o viés capacitista de que a tecnologia atua como uma “cura” ou substituição das ferramentas históricas de mobilidade.
“O uso dos óculos representa uma possibilidade complementar de acessibilidade, sem substituir o sistema Braille, as bengalas, o cão-guia ou outros recursos essenciais à comunicação, à orientação e à mobilidade”, destacou Pereira no pronunciamento. A fala reforça o protagonismo da pessoa com deficiência, colocando a IA como uma aliada ao repertório de autonomia já existente, e não como uma salvadora.
A distribuição dos 100 óculos com IA da Meta será feita por meio de um chamamento às entidades filiadas à ONCB. O público-alvo inclui colaboradores, jovens em formação e pessoas vinculadas a projetos como a Rádio ONCB e os Postos Ágora de empregabilidade. O objetivo é garantir diversidade regional e de perfis de uso, valorizando a troca de vivências entre os participantes.
Desenho Universal e o desafio da privacidade
A chegada dos wearables (tecnologias vestíveis) com câmeras integradas levanta debates globais sobre privacidade. Atenta a isso, a ONCB estruturou um programa de capacitação que vai além das funcionalidades do aparelho. Os participantes receberão treinamento sobre o uso responsável da captação de imagens e áudios, garantindo o respeito ao consentimento de terceiros em espaços públicos e a segurança da informação.
Mag Kang, Gerente de Políticas Públicas da Meta, ressaltou o valor da parceria com quem vivencia a deficiência na prática: “Temos orgulho de trabalhar ao lado da comunidade de acessibilidade para desenvolver tecnologia vestível que ajuda pessoas com deficiência a realizar tarefas do dia a dia com mais independência, com inteligência artificial de ponta, e a se conectar com o mundo ao seu redor”.
Para Carlos Ferrari, Secretário Geral da ONCB, a iniciativa joga luz sobre uma urgência no desenvolvimento tecnológico: o desenho universal. “Ao reunir funcionalidades que também atendem a pessoas cegas e pessoas com baixa visão, os equipamentos incorporam recursos alinhados ao conceito de desenho universal, que orienta a criação de produtos e serviços utilizáveis por todas as pessoas”, pontua.
Ao longo do projeto, os dados qualitativos sobre a frequência de uso, os benefícios percebidos e os desafios enfrentados pelos 100 participantes serão compilados pela ONCB. O resultado promete ser um dos mais ricos mapeamentos já feitos no país sobre como a inteligência artificial pode, de fato, derrubar barreiras quando desenvolvida e testada com quem está na linha de frente da luta por acessibilidade.
