MAM São Paulo lança ateliê apoiado para artistas com deficiência

Entrada do MAM São Paulo sob marquise curva de concreto. A fachada de vidro com o letreiro 'mam' é cercada por um jardim arborizado.

#Audiodescrição: Fotografia diurna da fachada do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), localizada no Parque Ibirapuera. O edifício é caracterizado por uma ampla marquise de concreto branco com formato curvo. Abaixo dela, há uma extensa fachada de vidro escuro e a entrada principal com o logotipo “mam” em letras minúsculas (o ‘m’ e o ‘a’ em branco, e o último ‘m’ em vermelho). À direita da porta, vê-se um grande painel artístico colorido. O museu está harmoniosamente integrado à natureza, cercado por árvores frondosas, folhagens tropicais e um jardim em primeiro plano que abriga uma escultura de pedras arredondadas. (Foto: Ding Musa e João Musa)

Em parceria com a Universidade de Leeds (Reino Unido), projeto pioneiro no Brasil traz o modelo de “ateliê apoiado” para garantir autonomia, formação e protagonismo a criadores com deficiência intelectual e autismo.

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São Paulo-SP, 28/08/2026 – Historicamente, a produção artística de pessoas com deficiência intelectual e autismo tem sido relegada ao campo clínico, infantilizada ou restrita ao conceito de “arteterapia”. Rompendo com essa visão capacitista estrutural, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) dá um passo inédito na democratização do circuito das artes visuais no Brasil com o lançamento do projeto Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea.

Com inscrições abertas até o dia 4 de setembro de 2026, a iniciativa gratuita é voltada para pessoas com deficiência intelectual e autismo, maiores de 18 anos, residentes na capital paulista. O objetivo não é terapêutico, mas sim profissional e estético: oferecer espaço, escuta e acompanhamento para que esses artistas desenvolvam suas pesquisas poéticas com total autonomia.


A urgência de políticas de inclusão produtiva e cultural para esse público é referendada pelos dados mais recentes do IBGE. O Censo Demográfico 2022 revelou que o Brasil possui 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e 18,6 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Apesar da expressividade demográfica, a presença dessas pessoas como produtores de cultura nos grandes museus ainda é uma exceção.

O conceito de “Ateliê Apoiado”

O projeto do MAM introduz no Brasil o modelo de supported studio (ateliê apoiado), uma prática já consolidada em países como Reino Unido, Austrália e Canadá. Esse formato consiste em um programa contínuo de apoio à prática artística, combinando espaço de criação, desenvolvimento profissional e oportunidades reais de inserção no mercado da arte contemporânea.

“Nosso objetivo vai além de abrir as portas para pessoas com deficiência intelectual e autistas: queremos oferecer espaço, escuta e acompanhamento profissional para que desenvolvam suas pesquisas poéticas com autonomia, já que a arte contemporânea só se realiza plenamente quando reflete a multiplicidade de vozes e experiências que compõem a nossa sociedade”, destaca Cauê Alves, curador-chefe do MAM São Paulo.

Durante os 20 encontros presenciais, que ocorrerão entre outubro de 2026 e maio de 2027, os participantes selecionados poderão experimentar linguagens como desenho, pintura, gravura, escultura, ready-made e instalação. Para garantir a acessibilidade plena, o projeto permite que os participantes solicitem o custeio de transporte e a presença de um profissional de apoio durante as atividades.

Intercâmbio Internacional e Pesquisa

A iniciativa é fruto de uma colaboração de peso. O projeto integra a pesquisa internacional Inclusive Art for Wicked Problems (Arte inclusiva para problemas complexos), financiada pela agência britânica UK Research and Innovation (UKRI). A estruturação no Brasil foi cocriada pelo MAM em parceria com a Dra. Jade French, da Universidade de Leeds (Reino Unido), e com a Dra. Viviane Panelli Sarraf, pesquisadora brasileira e referência em acessibilidade cultural.

Para a Dra. Jade French, o projeto reconhece a neurodivergência como uma fonte de inovação estética. “As práticas artísticas inclusivas oferecem ferramentas potentes para enfrentar desafios sociais complexos, criando espaço para que artistas com deficiência intelectual exerçam protagonismo, inovem e possam redefinir a forma como o valor cultural é produzido e compartilhado”, afirma a pesquisadora.

Ao trazer a experiência e o conhecimento de artistas neurodivergentes para o centro do processo criativo, o MAM São Paulo não apenas cumpre o direito à cultura previsto na Lei Brasileira de Inclusão (LBI), mas também provoca o circuito tradicional a repensar quem tem o direito de ser chamado de artista contemporâneo no Brasil.


SERVIÇO: Ateliê Apoiado – Práticas Inclusivas em Arte Contemporânea

  • Público-alvo: Pessoas com deficiência intelectual e autismo, maiores de 18 anos, residentes em São Paulo (SP).
  • Inscrições: Gratuitas, abertas até 4 de setembro de 2026 (às 11h).
  • Onde se inscrever: Pelo formulário no site mam.org.br/educativo/atelie-aberto
  • Seleção: Baseada na manifestação de interesse e na amostra de produção artística apresentadas no formulário.
  • Período dos encontros: De 9 de outubro de 2026 a 14 de maio de 2027 (às sextas-feiras, das 14h às 16h30).
  • Local: Ateliê do MAM São Paulo (Parque Ibirapuera, acesso pelos portões 3 e 4).
  • Acessibilidade: Possibilidade de solicitação de custeio de transporte e profissional de apoio.