Acessa BH 2026: Cultura DEF assume o protagonismo em maior festival de arte inclusiva do Brasil

Cena de dança: um bailarino em cadeira de rodas e uma bailarina ajoelhada no chão interagem sob um feixe de luz em um palco escuro.

#Audiodescrição: Fotografia teatral em um palco com fundo totalmente escuro. A iluminação cênica incide diretamente sobre dois bailarinos em movimento. À esquerda, um homem com cabelos escuros e cacheados está sentado em uma cadeira de rodas manual. Ele possui amputação bilateral nas pernas, acima dos joelhos. Veste uma blusa sem mangas com textura brilhante e bermuda. Ele inclina o tronco levemente para a frente, com o olhar direcionado para a bailarina. À direita e em um plano mais baixo, uma mulher de cabelos escuros e cacheados realiza um movimento no chão. Ela veste uma blusa de renda marrom e uma saia fluida em tom pêssego. Ela está apoiada no joelho direito, com o tronco inclinado para trás e o rosto voltado para cima. Seu braço esquerdo está estendido para trás e para o alto, com a mão aberta, enquanto o braço direito se estende em direção à cadeira de rodas. (Créditos: Brunno Martins)


Com atrações de seis estados e do Reino Unido, a 6ª edição do festival de arte inclusiva subverte a lógica da acessibilidade como “adaptação” e a coloca no centro da criação estética e política.

Ícone de pessoa em cadeira de rodas, logo do site Jornalista Inclusivo.Siga nosso canal para receber as atualizações!

Belo Horizonte-MG, 27 de agosto de 2026  A deficiência não é um limite para a arte; ela é uma lente poderosa para novas estéticas e narrativas. É com essa premissa que o Festival Acessa BH, o maior evento dedicado à Cultura DEF no Brasil, chega à sua sexta edição. Entre os dias 4 e 27 de setembro de 2026, Belo Horizonte se transforma na capital da arte inclusiva, reunindo artistas de seis estados brasileiros e do Reino Unido.

Com curadoria de Daniel Vitral e Lais Vitral, a programação ocupará seis espaços culturais da capital mineira, oferecendo cerca de 30 atividades, entre espetáculos de dança, teatro, performances imersivas, sessões de cinema comentadas e lançamentos literários.


Como o Jornalista Inclusivo vem acompanhando nas edições anteriores do festival, o Acessa BH vai muito além de oferecer recursos de acessibilidade para a plateia. O evento estrutura sua espinha dorsal a partir do protagonismo: pessoas com deficiência atuam em todas as etapas, da curadoria à comunicação, provando que o lema “Nada sobre nós sem nós” é a regra de ouro da produção cultural contemporânea.

Dança que rompe padrões e imersão internacional

A abertura do festival, no dia 4 de setembro, na Funarte MG, fica por conta da companhia potiguar Movidos Dança, com o espetáculo SER(tão). Dirigido por Mário Nascimento, o grupo propõe uma releitura do Nordeste misturando forró, música eletrônica e dança contemporânea, celebrando a pluralidade de corpos. No dia seguinte, a companhia apresenta Nuvem de Pássaros, uma reflexão sobre coletividade e migração.

O peso internacional desta edição é garantido pela companhia britânica ZU-UK, pioneira em teatro participativo. A performance Encontro Romântico Binaural transforma o espaço cultural em um restaurante onde duplas (conhecidos ou estranhos) vivem uma experiência imersiva de 75 minutos guiada por áudio binaural, explorando a intimidade e as conexões humanas.

O protagonismo da Cultura DEF nos palcos

A segunda semana do festival joga luz sobre a diversidade da deficiência auditiva no teatro brasileiro. O espetáculo Baixa Sociedade, com texto de Juca de Oliveira e estrelado por Luiz Fernando Guimarães, traz a direção de Pedro Neschling, que convive com deficiência auditiva desde a juventude e é um ativo conscientizador sobre o tema.

Em diálogo direto com essa vivência, o festival apresenta a montagem SURDA, protagonizada por Benedita Casé Zerbini com texto autobiográfico de Julia Spadaccini. A obra investiga os impactos da perda auditiva na vida afetiva e profissional. Spadaccini, Casé e Neschling compartilham a identidade de “surdos que ouvem”, trazendo para a cena uma representatividade fundamental e raramente discutida com tanta profundidade.

Cena da peça SURDA, cultura DEF no festival Acessa BH 2026. Duas atrizes, em pé num palco com iluminação azul, sinalizam com as mãos.
#Audiodescrição: Fotografia teatral em plano médio. Duas atrizes estão em pé no palco, lado a lado, contra um fundo texturizado iluminado por uma luz azul vibrante. À esquerda, Benedita Casé Zerbini, mulher de cabelos longos e escuros, veste uma roupa solta em tom verde-oliva com botões frontais. Ela está com o rosto voltado para a direita. Seu braço direito está estendido lateralmente, com a mão erguida e os dedos articulados (polegar e dedo médio unidos). À direita, Diana Dantas, mulher negra com cabelos crespos volumosos, veste um macacão azul-escuro sem mangas e com zíper frontal. Ela olha diretamente para a frente. Seu braço direito está flexionado, com a mão erguida na altura do ombro, mantendo os dedos indicador e médio estendidos para cima. Ambas realizam movimentos físicos que remetem à comunicação em língua de sinais. (Créditos: Rodrigo Menezes)

Cinema anticapacitista e infâncias plurais

O cinema também ocupa lugar de destaque. A pré-estreia nacional do documentário Uma em Mil, dirigido pelos irmãos Jonatas e Tiago Rubert (que tem síndrome de Down), investiga a autonomia e o afeto longe de narrativas estereotipadas. A programação internacional exibe o longa espanhol Surda, vencedor de três prêmios Goya, incluindo Atriz Revelação para Miriam Garlo, que é surda.

Para as infâncias, o festival preparou uma imersão de respeito às diferenças. Destaque para A Cangaceira Surda Mara, da artista cearense Lyvia Cruz, que combina cultura nordestina e Libras; e Puft e as Almofadas Coloridas, uma experiência sensorial voltada especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e mães atípicas.

Todos os espetáculos do Acessa BH 2026 contam com interpretação em Libras e audiodescrição. As sessões de cinema terão legendas descritivas, garantindo que a arte chegue a todos, sem exceção.


📍 SERVIÇO: Festival Acessa BH 2026

  • Quando: 4 a 27 de setembro de 2026
  • Onde: Funarte MG, Centro Cultural Unimed-BH Minas, Cine Theatro Brasil, Praça da Liberdade, Palácio das Artes e Teatro Raul Belém Machado (Belo Horizonte – MG).
  • Ingressos: Maioritariamente gratuitos ou a preços populares (a partir de R$ 25). Retirada via Sympla ou nas bilheterias.
  • Programação completa: Disponível no site oficial www.acessabh.com.br