Coletivo de Fotógrafos Cegos desafia a lógica da imagem em nova exposição itinerante no ES

Fotografia em preto e branco de duas mulheres sentadas frente a frente em uma mesa. Uma entrega um prato com maçãs para a outra.

#Audiodescrição: Fotografia em preto e branco. Duas mulheres estão sentadas frente a frente em uma mesa ao ar livre, com folhagens ao fundo. A mulher à esquerda sorri levemente enquanto entrega um prato com maçãs para a mulher à direita, que tem cabelos crespos e recebe o prato. Sobre a mesa com toalha rendada, há canecas e um espelho retrovisor que reflete parte de um rosto. Um feixe de luz ilumina o rosto da mulher à direita. (Créditos: Jarlison Gardiman e Cia Poéticas da Cena Contemporânea)


Coletivo capixaba inicia turnê por cinco cidades com obras inéditas e inova ao apresentar uma cabine de imersão sonora que revoluciona a experiência da audiodescrição.

Por Redação Jornalista Inclusivo | Lumen InclusiAI

A fotografia é, historicamente, tratada como a arte do olhar. Mas o que acontece quando a captura da imagem é feita por quem não enxerga? A resposta está na exposição “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”, da Escola de Fotógrafos Cegos, que inicia no dia 20 de maio de 2026 uma nova itinerância por cinco municípios do Espírito Santo: Piúma, Anchieta, Aracruz, Serra e Cariacica.


O projeto, idealizado pela SOCA Brasil, rompe com o estereótipo capacitista de que pessoas com deficiência visual são apenas consumidoras de arte adaptada. Aqui, os 12 fotógrafos cegos do coletivo assumem o protagonismo da criação, apresentando 36 obras (sendo 18 inéditas) que exploram a memória, o sonho, a fantasia e a identidade.

A Estética do Invisível

A nova curadoria foge do registro puramente documental para mergulhar na subjetividade. O conceito central da mostra defende que “as coisas mais importantes acontecem quando estamos de olhos fechados”. Entre os trabalhos, destacam-se ensaios autorais e produções coletivas inspiradas em fábulas clássicas, como “O Chapeleiro Maluco” e “A Bela Adormecida”.

Foto com um grande relógio antigo de ponteiros em primeiro plano focado. Ao fundo, desfocado, um homem idoso usando chapéu.
#Audiodescrição: Fotografia em cores. Em primeiro plano, com foco nítido, a metade superior de um grande relógio antigo de metal com algarismos romanos, vidro trincado e ponteiros marcando meio-dia e dois. Ao fundo, desfocado, um homem idoso de pele clara veste camisa vinho e chapéu escuro com fita vermelha. Ele tem o rosto marcado por rugas, lábios entreabertos e olha para a direita. A iluminação do ambiente tem tons azulados.

Para o Jornalismo Inclusivo, o grande mérito da exposição é deslocar a deficiência do lugar da “falta” para o lugar da “potência estética”. A ausência da visão ocular não impede a construção da imagem; pelo contrário, ela convoca outros sentidos, referências teatrais e a imaginação para compor o quadro.

Inovação: A Desconstrução da Audiodescrição

Um dos pontos mais disruptivos desta edição é a criação de uma cabine acústica de imersão sonora. Tradicionalmente, a audiodescrição segue um padrão linear e objetivo (descrevendo da esquerda para a direita, do fundo para a frente).

A cabine da Escola de Fotógrafos Cegos subverte esse modelo ao apresentar múltiplas vozes simultâneas. O objetivo é transmitir ao visitante cego uma percepção global e instantânea da obra, simulando o impacto do “primeiro olhar” de uma pessoa vidente, antes de detalhar os elementos da foto. A novidade será inaugurada na etapa da Serra e promete pautar debates sobre o futuro da acessibilidade comunicacional em museus.

Formação e Multiplicação

A itinerância não se resume à contemplação. Em cada cidade, o projeto oferece ações formativas gratuitas, incluindo oficinas práticas de fotografia (com metodologia própria que une teatro, cinema e luz), visitas mediadas e rodas de conversa conduzidas pelos próprios artistas. Os debates cruzam a experiência da deficiência com filosofia, psicanálise e antropologia.

O projeto é viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura Capixaba (LICC), com patrocínio da EDP e do Grupo Águia Branca, provando que o investimento em diversidade cultural gera impacto real e descentralizado.


📌 SERVIÇO: Itinerância 2026

Exposição: “Quando Fecho os Olhos Vejo Mais Perto”
Entrada e participação nas oficinas são gratuitas.

Calendário das Cidades:

  • Piúma: 20 de maio a 8 de junho (Abertura e Roda de Conversa: 20/05, às 19h)
  • Anchieta: 10 a 29 de junho (Abertura e Roda de Conversa: 10/06, às 19h)
  • Aracruz: 1º a 20 de julho (Abertura e Roda de Conversa: 01/07, às 19h)
  • Serra: 22 de julho a 10 de agosto (Abertura e Roda de Conversa: 22/07, às 14h)
  • Cariacica: 12 a 31 de agosto (Abertura e Roda de Conversa: 19/08, às 19h)

Inscrições para Oficinas e Visitas Guiadas:
As vagas para as ações formativas são limitadas (até 30 pessoas por turma). Inscrições via Formulário Online .

Mais informações: