AVC é doença que mais mata no Brasil, com 11 óbitos a cada hora

Equipe de paramédicos atende ocorrência de possível caso de Acidente Vascular Cerebral. Atenção aos sinais e sintomas do AVC, tempo é fator essencial.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte com sobreposição de texto, no rodapé: “Dia Mundial do AVC 2022. #TempoPrecioso. Com plano de fundo, foto de equipe de paramédicos atende ocorrência de possível caso de AVC – Acidente Vascular Cerebral. Homem negro com barba e bigode está de olhos fechados deitado na maca, ainda na rua onde é atendido. À esquerda, uma socorrista de pele parda ajusta o cinto de segurança da maca. À direita, um paramédico negro segura a maca. Ao fundo tem um veículo em segundo plano. (Imagem: Edição de arte. Foto: Pexels. Créditos: Rodnae Productions/World Stroke Organization)

Campanha pelo Dia Mundial do AVC, 'Tempo Precioso' mostra a importância de ficar atento aos sinais iniciais, podendo salvar vidas e reduzir sequelas da doença

O 29 de outubro é marcado pelo Dia Mundial do AVC (acidente vascular cerebral), com campanhas internacionais de conscientização sobre essa que já é a principal causa de mortalidade no Brasil. Neste dia, associações, entidades e pacientes do mundo inteiro promovem mobilizações e ações de alerta e de prevenção.

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    Boa leitura!

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    AVC é doença que mais mata no Brasil

    Só no Brasil, entre 1º de julho e 13 de outubro de 2022, a doença já matou 87.518 pessoas, segundo dados do portal de Transparência do Registro Civil. Nesse mesmo período, 81.987 pessoas morreram de infarto e outras 59.165 em decorrência da COVID-19.

    De acordo com os registros, são 307 pessoas morrendo a cada dia no Brasil, em decorrência do AVC, o que equivale a uma média de 11 óbitos por hora, segundo o portal mantido pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais.

    AVC no Brasil e no mundo

    Em entrevista à Agência Brasil, a neurologista presidente da Rede Brasil AVC e da Organização Mundial de AVC , Sheila Cristina Ouriques Martins afirma que, por mais de 30 anos, o acidente vascular cerebral foi a primeira causa de morte no país. Mas isso havia mudado a partir de 2011, quando tomou mais impulso a organização do cuidado agudo do AVC. 

    Porém, a neurologista ressalta que no início da pandemia de COVID-19, os pacientes ficaram mais em casa e desapareceram. Segundo ela, a partir do final de 2020, o número de casos de AVC aumentou exponencialmente e pacientes começaram a chegar em estado mais grave, mais jovens e em maior número. “O AVC voltou a ser a primeira causa de morte no país”.

    Mundialmente, os dados relacionados ao AVC também são preocupantes.  A cada seis segundos é registrada uma morte pela doença no mundo. A cada quatro pessoas, uma sofrerá um AVC em algum momento da vida e ele pode ocorrer com qualquer pessoa e idade.

    O que é um AVC?

    Popularmente conhecida como derrame, essa emergência médica mata uma pessoa a cada seis segundos, somando cerca de 17 milhões de pessoas por ano no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença ocorre quando há um entupimento ou rompimento nas artérias, que impedem o transporte de oxigênio para o cérebro, provocando lesões.

    O Acidente Vascular Cerebral é uma condição grave que pode resultar no entupimento da artéria e consequente falta de circulação na região (AVC Isquêmico) ou na ruptura de um vaso (AVC hemorrágico), de acordo com a médica neurologista Sheila Martins

    Sinais e sintomas

    Grande parte dos sintomas são bastante comuns no Acidente Vascular Cerebral, seja o AVC isquêmico ou o hemorrágico:

    • Dor de cabeça muito forte, de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos;
    • Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo;
    • Paralisia (dificuldade ou incapacidade de se movimentar);
    • Perda súbita da fala ou dificuldade para se comunicar e compreender o que se diz;
    • Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.

    Outros sintomas do AVC isquêmico são: tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação. Os ataques isquêmicos ainda podem se manifestar com alterações na memória, na capacidade de planejar atividades diárias e como negligência. Neste caso, a pessoa ignora objetos colocados no lado afetado, e tende a desviar a atenção visual e auditiva para o lado não afetado.

    Quanto aos sintomas do AVC hemorrágico intracerebral também podem ocorrer náuseas, vômitos, confusão mental e, até mesmo, perda total de consciência. Já o AVC hemorrágico, por sua vez, é comumente acompanhado por sonolência, alterações nos batimentos cardíacos e na frequência respiratória e, eventualmente, convulsões.

    A cada minuto em que o AVC isquêmico não é tratado, o paciente perde 1,9 milhão de neurônios, o que resulta em graves comprometimentos que podem deixar sequelas permanentes. Por isso é fundamental agir rápido ao reconhecer os sinais de um possível AVC, para preservar a memória, movimento, fala e assegurando qualidade de vida após o AVC.

    Mulher negra deitada no sofá, com o braço direito para baixo e a mão esquerda na testa. AVC é doença que mais mata no Brasil.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte com sobreposição de texto, no rodapé: “Dia Mundial do AVC 2022. #TempoPrecioso. Com plano de fundo, foto colorida, em interno, de mulher negra deitada no sofá. Ela está com o braço direito para baixo e com a mão esquerda na testa, sugerindo dor cabeça. (Imagem: Edição de arte. Foto: Freepik. Créditos: Rawpixel/ World Stroke Organization)

    Tempo precioso

    “Quanto mais tempo essa condição permanece, mais graves são as sequelas, que podem afetar a fala, movimentos e a compreensão. Por isso, o tempo é um fator essencial para a recuperação do paciente”, alerta Gisele Abud Nicolau, Cirurgiã Vascular e diretora Técnica da UPA Zona Leste. 

    A unidade, que pertence a rede pública de saúde da Prefeitura de Santos, sendo gerenciada pela entidade filantrópica Pró-Saúde, atua como referência para urgências em Clínica Médica, Ortopedia, Pediatria e Odontologia. Somente nos meses de setembro e outubro de 2022, foram realizados 24 atendimentos com suspeitas de AVC na UPA, sendo que 15 tiveram confirmação da doença. 

    “A maior parte dos atendimentos na UPA são em homens, acima de 60 anos de idade, com algumas comorbidades, como hipertensão, diabetes e tabagismo”, explicou a médica. 

    Método SAMU

    Para este ano, a Organização Mundial do AVC tem como foco da campanha as vidas que podem ser salvas a partir da conscientização sobre os sinais da doença. Geralmente, o AVC é identificado por meio de déficits motores e de sensibilidade, além de outros sinais e sintomas neurológicos. 

    Existem quatro passos simples para auxiliar na identificação de alguns sinais da doença, antes que os prejuízos ocorram. Essas etapas são baseadas no método SAMU, sigla de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e iniciais de quatro palavras que podem salvar vidas: 

    Tempo precioso, banner sobre método SAMU.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Arte colorida ilustrando o Método SAMU, com informações em texto e imagem. Abaixo aparecem letras que formam a palavra SAMU, cada uma com sua explicação e ilustração visual, abaixo: S – Sorriso: Peça para a pessoa sorrir e veja se um lado do está torto ou paralisado; A – Abraço: Peça para a pessoa te abraçar e veja se ela não perdeu mobilidade; M – Mensagem: Peça para a pessoa repetir uma mensagem e veja se consegue verbalizar normalmente; U – Urgência: Caso a pessoa não realize nenhuma das ações, é melhor chamar o atendimento médico com urgência. (Imagem: Edição de arte. Créditos: Freepik)

    > Sorriso – peça para a pessoa dar um sorriso e veja se um dos lados do rosto está paralisado ou torto;

    > Abraço – peça para a pessoa dar um abraço e perceba se ela consegue levantar seu braço, caso contrário, ela perdeu a capacidade motora;

    > Mensagem – peça para a pessoa repetir uma frase ou mensagem e escute se a verbalização está alterada;

    > Urgente – caso o indivíduo não consiga realizar uma ou mais das ações, vá urgentemente a um pronto atendimento, pois pode ser sinal de AVC. 

    “Os tratamentos são altamente resolutivos quando aplicados nas primeiras horas após o surgimento dos sinais indicados. Quanto mais rápido o paciente for encaminhado ao hospital com seu diagnóstico, mais rápida será sua recuperação, com baixo índice de sequelas”, enfatiza a especialista. 

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    Formas de prevenção

    Especialistas estimam que 90% dos casos de AVC poderiam ser evitados com medidas de prevenção, como o tratamento correto e recorrente de arritmias, doenças cardíacas e diabetes. Além disso, a redução do tabagismo, prática gradativa de atividades físicas, alimentação balanceada e controle do peso são ações cotidianas que podem ajudar na proteção da doença. 

    “É importante lembrar que não são apenas os idosos que fazem parte do grupo acometido pelo AVC, muito pelo contrário, crescem os casos da doença entre a população mais jovem justamente pelo sedentarismo e alimentação desregulada. O cérebro jovem tem maior capacidade de regeneração, por isso a importância e buscar ajuda médica aos primeiros sinais”, finaliza a médica. 
    Reabilitação

    De acordo com a Agência Brasil e a Academia Brasileira de Neurologia (ABN), a reabilitação muitas vezes tem início ainda no hospital, para o paciente se adequar a sua nova condição e restabelecer mobilidade, habilidades funcionais e independências física e psíquica. Isso só acontece quando a pressão arterial, o pulso e a respiração estabilizam, geralmente em um ou dois dias após o episódio de AVC. A reabilitação é sempre realizada por equipe multiprofissional, com neurologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais.

    Posteriormente, o processo de reaprendizagem de atividades básicas exige paciência e obstinação do paciente e seu cuidador (seja um profissional ou familiar), que tem uma função extremamente importante durante toda a reabilitação. Outro aspecto de considerável importância é “a reintrodução do indivíduo no convívio social, seja por meio de leves passeios, compras em lojas ou quaisquer atividades comuns à sua rotina normal”, de acordo com a ABN.

    Rafael F. Carpi
    Rafael F. Carpi

    Jornalista, editor nas iniciativas Jornalista Inclusivo e PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social em 2006, foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em acessibilidade e inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência e redator na equipe Dando Flor.

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