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Aumento de jovens com AVC em 2021 é sinal de alerta, diz neurologista

Jovem adulta de 35 anos, em cama de hospital, ilustrando o “aumento de jovens com AVC em 2021”.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em ambiente interno, ilustrando o “aumento de jovens com AVC em 2021”. No centro, sobreposição de texto, com fonte translúcida, em tamanho aumentado: “AVC”. Sobre uma tarja azul, da esquerda para direita, está a frase: “Casos entre jovens aumentou em 2021”. Foto de mulher jovem em leito de hospital. Tem nele branca e cabelos longos loiros. Apresenta o rosto assimétrico, como consequência de acidente vascular cerebral. Créditos: Reprodução YouTube/ Nebraska Medicine

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Estudo suspeita de que o estresse causado por excesso de trabalho esteja relacionado a um maior risco

Sedentarismo, pressão arterial elevada, diabetes, colesterol alto e obesidade, além do uso de cigarro e drogas também contribuíram para o aumento de jovens com AVC em 2021

Atualmente, uma das principais causas de mortalidade e sequelas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, é o acidente vascular cerebral (AVC). Estima-se que cerca de 100 mil pessoas por ano venham a óbito por conta da doença. 

Dados da Central Nacional de Informações do Registro Civil, mostram que brasileiros entre 20 e 59 anos representavam 17,2% dos óbitos por AVC em 2019, índice que subiu para 18,5% no ano passado e chega a 20% entre janeiro e outubro de 2021.

Mas, o que alerta muitos especialistas, é que a doença deixou de afetar com maior frequência idosos. 

Estudo publicado na revista The Lancet revelou que o AVC está afetando cada vez mais pessoas jovens e pessoas de meia-idade. O estudo também levantou a suspeita de que o estresse causado pelo excesso de trabalho pode estar relacionado a um maior risco de AVC em jovens.

Neurocirurgiã Danielle de Lara, que alerta para o aumento de jovens com AVC em 2021. Descrição detalhada na legenda.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em ambiente interno, da neurocirurgiã, Danielle de Lara. Mulher de pele branca e cabelos escuros. Está de perfil, usa toca de cabelo, máscara de proteção, luvas e avental. Créditos: Reprodução/ dradanielledelara.com.br

De acordo com a neurocirurgiã Danielle de Lara , que atua no Hospital Santa Isabel, de Blumenau (SC), apesar da doença ainda atingir grande parcela da população idosa, tem aumentado também entre o público mais jovem: 

“Entre os motivos podemos destacar a exposição precoce a fatores de risco como sedentarismo, pressão arterial elevada, diabetes, colesterol alto e obesidade, além do uso de cigarro e drogas ilícitas”, alertou.

Sintomas e diagnósticos

Os sintomas do AVC em jovens não diferem muito de outras faixas etárias: 

“Os mais frequentes são a diminuição ou a perda súbita da força na face, braço ou perna de um lado do corpo; alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo; alteração da fala, incluindo dificuldade para articular e para entender e dor de cabeça intensa”, informou a neurocirurgiã. 

De acordo com a especialista o diagnóstico é obtido por meio de exames de imagem, como a tomografia e a ressonância magnética, que permitem identificar a área do cérebro afetada e o tipo do derrame cerebral: 

“Existem dois principais tipos de AVC, sendo o isquêmico, quando há parada do sangue que chega ao cérebro, provocado pela obstrução dos vasos sanguíneos e o hemorrágico, caracterizado por sangramento dentro do tecido cerebral”, ressaltou.

Paciente com AVC deitada em maca, realizando ressonância magnética.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em ambiente interno, com duas pessoas. A jovem mulher da fotografia de capa, com suspeita de AVC, está deitada iniciando os procedimentos no equipamento de ressonância magnética. À esquerda da imagem está uma profissional de saúde do Hospital Nebraska Medicine. Créditos: Reprodução YouTube/ Nebraska Medicine

AVC e Coronavírus

O estudo divulgado pela revista médica The Lancet concluiu que entre as 600 mil pessoas acompanhadas durante o estudo, aquelas que trabalhavam mais de 55 horas por semana tinham uma chance 33% maior de ter AVC do que os que trabalhavam entre 35 e 40 horas semanais.

De acordo com a neurocirurgiã Danielle de Lara, esse resultado pode ser explicado de maneira multifatorial: 

“A sobrecarga de trabalho faz com que a pessoa se alimente mal, diminui a prática de exercícios físicos e a ter menos tempo para cuidar de sua saúde. Além disso, o estresse pode também aumentar a incidência de hipertensão e diabetes”.

A médica ainda alerta que com a pandemia do COVID-19, o home office foi uma opção optada por empresas e colaboradores para continuar as atividades profissionais: 

“Durante a pandemia de Coronavírus, muitos jovens optaram pelo home office e a confusão entre ambiente profissional e casa flexibilizou os limites entre expediente e folgam causando excesso de trabalho”.

Jovem mulher em frente ao computador, expressando desconforto ou dor de cabeça.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Fotografia colorida, em área interna, com uma pessoa. Mulher branca de cabelos loiros amarrados em coque está com a mão direita levanto o óculos de grau e com sua mão esquerda pressionando o nariz, indicando desconforto ou dor de cabeça. À sua frente, um computador laptop aberto sobre a mesa. Créditos: Shutterstock

Recentemente, médicos e cientistas identificaram que a infecção pelo novo Coronavírus pode acarretar em outros problemas além dos respiratórios. Após relatos de problemas neurológicos em pacientes com COVID-19, foram registrados diversos casos de pessoas com AVC e que também testaram positivo para o vírus

“Ainda há muitos estudos em andamento sobre esses casos, mas a COVID-19 está ligada a um aumento na formação de coágulos em artérias, além do risco de trombose e embolia pulmonar, tais coágulos podem atingir o cérebro, levando ao AVC”.

SOBRE DANIELLE DE LARA

Médica Neurocirurgiã em atividade na cidade de Blumenau (SC). Atua principalmente na área de cirurgia endoscópica endonasal e cirurgia de hipófise. Dois anos de Research Fellowship no departamento de “MinimallyInvasiveSkull Base Surgery” em “The Ohio StateUniversity MedicalCenter”, Ohio, (EUA). Graduada em Medicina pela Universidade Regional de Blumenau. Tem formação em Neurocirurgia pelo serviço de Cirurgia Neurológica do Hospital Santa Isabel.

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Jornalista Inclusivo

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Da Equipe de Redação JI
Editor responsável (MTB: 0089466/SP)

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