Street Cadeirante: Dança virtual com 100 vagas gratuitas para pessoas com deficiência

Grupo com dez integrantes do Street Cadeirante posa ao ar livre. Eles estão em suas cadeiras de rodas, usam roupas pretas e jeans com detalhes rosa e erguem os braços sorrindo.

#Audiodescrição: Fotografia ao ar livre com o grupo de dança Street Cadeirante. Dez pessoas estão sentadas em cadeiras de rodas manuais, lado a lado sobre um piso claro. Ao fundo, há um edifício branco de arquitetura moderna sob um céu azul com nuvens. O grupo veste figurinos em estilo urbano: peças em jeans e tecido preto, customizadas com retalhos em rosa e grafismos brancos pintados à mão, incluindo cruzes, linhas abstratas e a palavra “STREET”. Todos calçam tênis brancos. Eles posam para a câmera com sorrisos e um dos braços estendido para o alto, com as mãos abertas ou em punho. (Créditos: Mariana Guedes)


Companhia brasiliense utiliza a tecnologia para derrubar barreiras geográficas e provar que a arte e dança urbana pertencem a todos os corpos. Aulas começam em 8 de agosto.

Brasília-DF, 05 de agosto de 2026 – A falta de acessibilidade urbana e a escassez de profissionais qualificados frequentemente afastam pessoas com deficiência da arte. Subvertendo essa lógica, a companhia brasiliense Street Cadeirante encontrou no ambiente digital a ferramenta definitiva para democratizar a cultura. A partir do dia 8 de agosto de 2026, o projeto Street Cadeirante Virtual inicia uma nova temporada de oficinas gratuitas e online, transformando a internet em um palco de pertencimento, saúde mental e combate direto ao capacitismo.

Financiada pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), a iniciativa oferecerá 24 aulas ao vivo pela plataforma Zoom, estendendo-se até março de 2027. Com capacidade para 100 participantes, as inscrições estão abertas para pessoas de todo o Brasil — e até de fora dele, já que edições anteriores registraram alunos de países como o Paraguai.


A reinvenção como motor da arte

A história do projeto se confunde com a trajetória de sua idealizadora, a jornalista, bailarina e paratleta Carla Maia. Apaixonada pela dança desde a infância, Carla precisou interromper a atividade aos 17 anos, após sofrer um raro sangramento na medula que a deixou tetraplégica. O desejo de voltar a se expressar artisticamente levou à criação da companhia presencial em 2018.

“Eu já dançava e o sonho de voltar a ter prazer e de me expressar na dança nunca morreu. Com a Cia de Dança, pudemos multiplicar esses sonhos e estender essa possibilidade a outras pessoas, também cadeirantes, ampliando as perspectivas sobre a arte e sobre a própria vida. Não há imobilidade, há muitos movimentos sobre rodas”, declarou Carla em entrevistas anteriores sobre a essência do grupo.

O formato virtual, no entanto, nasceu de uma crise. Em 2020, com o isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19, os ensaios presenciais foram cancelados. O que poderia ser o fim das atividades tornou-se um catalisador de expansão. “A vida continua em movimento, sempre, como na dança”, resumiu a fundadora à época. A barreira geográfica foi eliminada, permitindo que pessoas com deficiência de estados como São Paulo, Bahia, Pará e Rio de Janeiro tivessem acesso a professores qualificados sem precisar sair de casa.

Muito além da reabilitação: o direito ao palco

As aulas virtuais são voltadas para pessoas em cadeiras de rodas, amputadas, com mobilidade reduzida, lesão medular, paralisia cerebral ou doenças raras. Contudo, a abordagem passa longe do viés clínico ou assistencialista. O foco é a arte urbana, a expressão corporal e a técnica.

Os ciclos de aulas serão conduzidos por três coreógrafos de peso: Fernando Perrotti e Dani Duram (ambos com passagem pelo quadro Dança dos Famosos, da TV Globo) e Eduardo Amorim, referência em danças urbanas e diretor de espetáculos inclusivos da companhia, como o aclamado “Dança Não É Só Palco”.

Para Perrotti, que acompanha o projeto desde a primeira edição virtual, o desafio é artístico: “A proposta é explorar diferentes texturas e possibilidades dentro da dança, incentivando cada pessoa a se desafiar e a descobrir novas maneiras de se expressar”, destaca o coreógrafo.

Além do aprendizado técnico, o projeto cria uma rede de apoio. Os alunos são inseridos em grupos de WhatsApp onde trocam experiências de vida, fortalecendo a autoestima e quebrando o isolamento social — uma dor latente na comunidade com deficiência.

Como participar

  • Início: 8 de agosto de 2026
  • Quando: Aos sábados
  • Horários: Fernando Perrotti e Dani Duram, às 11h; Eduardo Amorim, às 16h.
  • Onde: Online, pela plataforma Zoom (aulas ao vivo, não gravadas).
  • Quanto: Totalmente gratuito.
  • Inscrições: Preencha o formulário oficial neste link
  • Mais informações: Instagram @streetcadeirante