Cena: Língua de sinais emergente é foco de documentário nesta terça (30)

Cena do documentário ‘Em Cena – A Vida Em Várzea Queimada’, mostrando um ambiente árido com um crânio de boi em uma cerca e uma pessoa próxima a um arbusto.
A Cena é uma língua de sinais emergente e minoritária no Brasil, compartilhada por pessoas surdas e ouvintes em Várzea Queimada, no sertão do Piauí. (Foto: Nadja Kouchi)

Produção da Univesp TV em parceria com a TV Cultura, "Em Cena – A Vida Em Várzea Queimada" propõe uma imersão na história desse povoado.

Nesta terça-feira, 30 de janeiro, a Univesp TV estreia o documentário “Em Cena – A Vida Em Várzea Queimada”. Esta produção, realizada em parceria com a TV Cultura, oferece uma visão íntima e detalhada da vida em Várzea Queimada, um povoado único no sertão do Piauí, que desenvolveu sua própria língua de sinais, chamada Cena. O documentário será transmitido às 20h e, após a exibição, estará disponível para visualização no canal do YouTube da Univesp TV .

Índice do conteúdo


Boa leitura!

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Um povoado único como sua língua de sinais

Em Várzea Queimada, localizada no município de Jaicós, as mãos que falam são as mesmas que trançam a palha da carnaúba, fonte de sustento da comunidade através do artesanato — reconhecido internacionalmente. O documentário se propõe a fazer uma imersão na história desse povoado que se destaca pelo seu modo de vida único.

Além do artesanato, o povoado também é notável por sua alta taxa de nascimentos de pessoas surdas. Na comunidade, que conta com cerca de 900 habitantes, uma em cada vinte e cinco crianças nasce com surdez. Devido ao isolamento e uma alta taxa de casamentos entre parentes próximos, os genes que causam a surdez foram bastante replicados na população.

Assim, na ausência de acesso ao ensino da Libras – Língua Brasileira de Sinais, as pessoas surdas e ouvintes da comunidade desenvolveram, de forma espontânea, sua própria língua de sinais: a Cena.

Um olhar sobre a língua Cena do sertão do Piauí

Em um artigo científico publicado em 2020 , os pesquisadores Anderson Almeida-Silva, da Universidade Federal do Delta do Parnaíba, e Andrew Ira Nevins, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, relatam a história dessa língua de sinais. Eles explicam que a Cena emergiu na década de 1950, com o nascimento da primeira pessoa surda na comunidade.

Logo após a primeira moradora surda nascida em 1949, a comunidade viu o nascimento de mais pessoas com deficiência auditiva, incluindo uma família que teve seis filhos surdos de um total de 14. Para os especialistas, essas pessoas cresceram juntas, e suas interações provavelmente contribuíram para a formação da Cena.

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Terceira geração da língua de sinais emergente

Hoje, a língua de sinais está em sua terceira geração na comunidade, com as pessoas surdas mais jovens tendo entre 13 e 15 anos de idade. No entanto, não há registros de novos surdos na comunidade nos últimos anos. A Cena é um exemplo notável de como as línguas de sinais podem se desenvolver e evoluir dentro de uma comunidade.

Os pesquisadores, que têm documentado as expressões da Cena em um dicionário, explicam que a Cena é uma língua de sinais emergente usada por cerca de 34 pessoas. Eles classificam a Cena como uma língua de sinais compartilhada, pois também é utilizada por pessoas ouvintes.

No artigo intitulado “Observações sobre a estrutura linguística da Cena: a língua de sinais emergente da Várzea Queimada”, os autores descrevem aspectos do léxico, fonologia, morfologia, sintaxe e algumas questões de variação encontradas nessa língua, apontando para várias direções em pesquisas futuras. O artigo é útil para quem se interessa por línguas de sinais emergentes e na evolução e tipologia das línguas.

Confira uma reportagem do Fantástico

Em fevereiro de 2022, a história do povoado Várzea Queimada foi destaque no Fantástico, da TV Globo, e publicado no Instagram @varzeaqueimada . Confira abaixo:

Onde assistir ao documentário?

A produção “Em Cena – A Vida Em Várzea Queimada” será veiculada na Univesp TV, uma emissora educativa que faz parte da multiprogramação da TV Cultura. Para sintonizar a Univesp TV, você precisará acessar os canais digitais da TV Cultura em sua televisão.

Aqui estão os canais específicos para algumas localidades:

  • São Paulo: Sintonize no canal 2.2.
  • Santos e Guarujá: O canal é o 3.2.
  • Ribeirão Preto: Você pode encontrar a Univesp TV no canal 4.2.
  • Campinas: Acesse o canal 10.2.
  • São José dos Campos: O canal é o 27.2.

Esses números de canal são específicos para a transmissão digital. Se você estiver usando uma antena para sintonizar, certifique-se de que ela seja compatível com a recepção de sinais digitais. Além disso, pode ser necessário fazer uma busca de canais em sua TV para localizar a Univesp TV pela primeira vez. Após a sintonização inicial, você deve ser capaz de acessar a Univesp TV diretamente através do número do canal correspondente.

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Ficha Técnica: "Em Cena – A Vida Em Várzea Queimada"

  • Direção, Roteiro e montagem: Everton Lucas
  • Produção: Giovanna Lange
  • Produção Executiva: Eduardo Beretta
  • Direção Executiva: Fábio Chateaubriand Borba Guedes
  • Fotografia: Nadja Kouchi e Nilo Moraes
  • Som Direto: Ricardo Ramiro
  • Colorização: Helder Correia
  • Sonoplastia: Leandro Ribeiro
  • Arte: Douglas Lopes
  • Intérpretes: Nádia Fernanda e Andrey Batista
  • Vozes: Ana Oliveira, Gleici Oliveira, Jess Carsan, Suyanne Queiroz e Talita Costa
Rafael F. Carpi
Rafael F. Carpi

Jornalista, editor nas iniciativas Jornalista Inclusivo e PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social em 2006, foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em acessibilidade e inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência e redator na equipe Dando Flor.

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