Benefícios da Inteligência Artificial para pessoas com deficiência

Criança em cadeira de rodas e robô dialogando, ilustrando os benefícios da Inteligência Artificial para pessoas com deficiência.
Em entrevista, o profissional de Data Science Bruno Horta apresenta benefícios da Inteligência Artificial para pessoas com deficiência e destaca seu potencial como ferramenta de inclusão. (Imagem: Midjourney)

Um olhar promissor para o futuro: Desvendando o potencial da Inteligência Artificial no empoderamento da população com deficiência.

A inteligência artificial (IA) não apenas revoluciona a maneira como interagimos com a tecnologia, mas também oferece oportunidades para promover a inclusão e a acessibilidade das pessoas com deficiência em diversas áreas. Embora muitas pessoas possam associar a IA principalmente a avanços tecnológicos como carros autônomos e assistentes virtuais, ela também desempenha um papel vital na criação de um mundo mais inclusivo para toda a sociedade.

Conversamos com Bruno Horta , Head de Data Science da Peers Consulting & Technology , para explorar como a IA está transformando as vidas das pessoas e como as inovações tecnológicas estão moldando um futuro mais acessível e equitativo.

Neste artigo

Boa leitura!

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Benefícios da Inteligência Artificial para Pessoas com Deficiência

“Primeiramente, é importante dizer que a Inteligência Artificial (IA) já tem sido utilizada com esse propósito há muitos anos. Eu tive meu primeiro conhecimento de projetos de IA para pessoas com deficiência em 2012, quando era professor da PUC-Rio. Nessa época, um dos projetos mais populares era o da bengala eletrônica, um dispositivo com IA embarcada, cujo propósito é auxiliar na locomoção de pessoas com deficiência visual”, comenta Bruno Horta.

De forma geral, Horta defende que a IA possibilita o desenvolvimento de dispositivos e aplicativos que auxiliam na comunicação, mobilidade e realização de tarefas cotidianas. “Essas soluções inclusivas são muito importantes, pois desempenham um papel crucial na promoção da independência e autonomia das pessoas com deficiência”.

Acessibilidade aprimorada com Inteligência Artificial

De acordo com Horta, para as pessoas com deficiência, a capacidade de melhorar a acessibilidade é um dos principais benefícios proporcionados pela IA. A tecnologia tem a capacidade de se adaptar às necessidades individuais, oferecendo soluções personalizadas que podem impactar positivamente suas vidas. “Essa personalização é essencial para garantir que os recursos tecnológicos atendam às suas exigências únicas e proporcionem experiências mais satisfatórias”.

“Por meio da análise de dados e do uso de algoritmos, a IA pode ajudar a criar ambientes de aprendizado inclusivos, acessíveis e adaptados às capacidades de cada pessoa”, completa o profissional.

Alguns exemplos práticos de aplicação no dia a dia

Bruno aponta alguns exemplos práticos de aplicação da IA como:

  • Reconhecimento de voz que permite que pessoas com deficiências motoras ou visuais interajam com dispositivos e sistemas de forma mais fácil e eficiente;
  • Tradução em tempo real para ajudar a superar barreiras linguísticas e facilitar a comunicação entre pessoas com deficiência auditiva ou da fala;
  • Criação de próteses que se adaptam de forma mais intuitiva aos movimentos e necessidades específicas de cada pessoa, proporcionando maior sensação de conforto, controle e autonomia;
  • Sensores e câmeras que identificam e sinalizam obstáculos em espaços públicos, facilitando a locomoção de pessoas com deficiência visual;
  • Algoritmos de IA que também podem ser utilizados para melhorar a navegação em sites e aplicativos, tornando-os mais amigáveis e adaptados às necessidades de pessoas com deficiências cognitivas ou visuais.
Mulher negra com próteses que utilizam inteligência artificial para pessoas com deficiência. Está caminhando e sorrindo.
Descrição alternativa #PraGeralVer: Foto colorida ao ar livre: Mulher negra com membros inferiores biamputados caminhando com próteses autoajustáveis de inteligência artificial. Cabelo preso, vestindo camiseta regata, shorts curto e expressando um sorriso. (Imagem: Midjourney)

“Outro exemplo de aplicação é a automatização de tarefas que antes representavam desafios para pessoas com deficiência. Através da IA, atividades complexas podem ser executadas de forma mais eficiente e acessível, tornando a vida diária mais prática e facilitada”, completa o Head de Data Science.

O papel da IA na inclusão efetiva

É importante notar que a IA não é uma solução única para a inclusão. É necessário um esforço conjunto para garantir que a inclusão seja eficaz e abrangente. Isso implica na participação ativa das pessoas com deficiência no desenvolvimento de soluções de IA, levando em consideração suas experiências e perspectivas únicas.

À medida que olhamos para o futuro, a inteligência artificial se revela como um promissor catalisador da inclusão. Com contínuos avanços e aprimoramentos, ela tem o potencial de criar um mundo mais acessível e igualitário para todas as pessoas, independentemente de suas capacidades.

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Confira o bate-papo com Bruno Horta

De acordo com os exemplos mencionados, em quais casos a IA está sendo utilizada com sucesso para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência?

Em quase todas as áreas a IA tem sido aplicada e pode ser cada vez mais aprimorada para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência.

  • Na educação, por exemplo, a IA pode ser usada para desenvolver recursos educacionais personalizados para alunos com deficiência, fornecer tutoria e feedback individualizado.
  • No trabalho, a IA pode ser usada para criar ferramentas e recursos que ajudam as pessoas com deficiência a encontrar e manter um emprego, e pode ser usada para automatizar tarefas que podem ser difíceis ou impossíveis para pessoas com deficiência.
  • Na saúde, a IA pode ser usada para desenvolver novos tratamentos e dispositivos médicos. Além disso, pode ser usada para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência através de recursos como monitoramento remoto.

Por que é importante a participação das pessoas com deficiência no processo de desenvolvimento de soluções de IA? Como suas experiências e perspectivas podem contribuir?

A participação ativa das pessoas com deficiência no processo de desenvolvimento de soluções de IA é de extrema importância, pois suas experiências e perspectivas desempenham um papel fundamental para garantir uma inclusão mais efetiva e abrangente. Ao envolver diretamente as pessoas com deficiência, os benefícios alcançados são potencializados e os riscos são mitigados, pois elas têm um conhecimento íntimo das dificuldades e desafios que enfrentam no dia a dia.

Além disso, as perspectivas das pessoas com deficiência ajudam a criar interfaces e funcionalidades mais acessíveis e fáceis de usar, criando soluções mais completas e adequadas, pois levam em consideração diferentes perspectivas e contextos de vida.

Robô de inteligência artificial e Bruno Horta entrevistado.
Descrição alternativa #PraGeralVer: Foto colorida em fundo preto simula tela de computador. À esquerda, robô branco com busto, exibe partes de seu sistema. À direita, Bruno Horta, homem branco de cabelo preto e óculos, olha para frente, braços cruzados, vestindo camisa branca e paletó preto. (Imagem: Edição de arte)

Como podemos abordar questões éticas e de responsabilidade no desenvolvimento e implementação da IA para garantir os direitos e a privacidade das pessoas com deficiência?

Para garantir o respeito aos direitos e à privacidade das pessoas com deficiência, é fundamental abordar questões éticas e de responsabilidade de forma abrangente e cuidadosa:

  1. Os princípios éticos devem incluir a valorização da dignidade humana, a não discriminação, a transparência e a inclusão;
  2. Como discutido na questão anterior, as partes interessadas devem estar envolvidas;
  3. É necessário avaliar os possíveis impactos negativos ou não-desejados da tecnologia, bem como os riscos para os usuários;
  4. É preciso garantir que as informações coletadas sobre pessoas com deficiência sejam tratadas com rigorosas medidas de privacidade e segurança;
  5. Em soluções com potencial discriminatório, é preciso realizar testes éticos e de viés (bias) nas soluções de IA para identificar e corrigir possíveis discriminações ou injustiças que possam surgir na implementação;
  6. É importante definir claramente as responsabilidades dos desenvolvedores, fabricantes e usuários das soluções de IA. É essencial que haja prestação de contas em caso de problemas ou violações.

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Quais são as perspectivas para a aplicação da IA no campo da acessibilidade e quais avanços tecnológicos podemos esperar nos próximos anos?

Com os avanços da IA generativa, as perspectivas são muito promissoras para pessoas com deficiência. Por exemplo, a IA será capaz de reconhecer linguagem de sinais, assistindo de forma automática e em tempo real, facilitando a comunicação entre pessoas surdas e ouvintes. Veremos também um aumento significativo no desenvolvimento de dispositivos e aplicativos de assistência baseados em IA. Essas tecnologias poderão oferecer soluções mais personalizadas e sofisticadas para auxiliar pessoas com deficiência em suas atividades diárias, como comunicação, mobilidade e interação com o ambiente.

Com a IA, as próteses e dispositivos assistivos podem ser aprimorados para se adaptarem de forma mais natural e intuitiva aos movimentos e necessidades das pessoas com deficiência física. A IA será também fundamental para melhorar a acessibilidade digital em diferentes plataformas e interfaces. Chatbots inteligentes e assistentes de voz podem ser usados para tornar a navegação em sites e aplicativos mais acessível e amigável para pessoas com deficiência visual ou auditiva.

Além de tudo isso, IA pode proporcionar ambientes de aprendizagem personalizados e adaptados às necessidades individuais de estudantes com deficiência, melhorando a educação inclusiva.

Quais são os principais desafios e obstáculos a serem superados na utilização da IA e como podemos trabalhar em conjunto para enfrentar esses desafios?

Vejo como principais desafios o acesso e disponibilidade, pois a implementação de soluções de IA pode ser cara e exigir infraestrutura tecnológica avançada, o que pode limitar o acesso a essas tecnologias para algumas comunidades de pessoas com deficiência, especialmente em países em desenvolvimento, como o Brasil. Além desse desafio principal, temos a questão da complexidade dos modelos de IA, que muitas vezes não nos permite entender como eles tomam decisões. A transparência e a explicabilidade dos algoritmos são importantes para garantir a confiança dos usuários e possibilitar que pessoas com deficiência compreendam o funcionamento das tecnologias que utilizam. Uma outra questão importante, mas já mencionada, é a da privacidade e segurança dos dados.

Esses desafios são complexos e exigem um esforço conjunto de vários atores da sociedade. Para enfrentar esses desafios, é necessário um esforço conjunto e colaborativo envolvendo diversos responsáveis, incluindo Governo, Indústria e Organizações que representam as pessoas com deficiência. Só assim será possível um avanço mais significativo no desenvolvimento de soluções robustas, éticas e acessíveis.

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Além da IA, quais outras áreas de tecnologia e inovação têm potencial para promover a inclusão e a acessibilidade das pessoas com deficiência?

Acredito que a robótica, a impressão 3D e a nanotecnologia poderão ter um impacto grande na vida de pessoas com deficiência. Imagine por exemplo um robô substituto do cão guia! Além de guiar pelos caminhos certos e menos perigosos, o “cão guia robô” poderia emitir alertas, sugerir o trajeto mais curto, conversar com o dono, chamar um Uber ou táxi, dentre outras coisas. Claro que ele nem precisa ter o formato de um cão e talvez nem precise colocar as patas no chão – poderia ser uma versão aprimorada da bengala eletrônica, ou até mesmo um boné ou um implante. 

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Rafael F. Carpi

Editor na Jornalista Inclusivo e na PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social (2006), foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência, e redator na equipe Dando Flor e na Pachamen Editoria.

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