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Acessibilidade na Web, com Reinaldo Ferraz

Acessibilidade na Web, com Reinaldo Ferraz em um celular, e o NIC.br na tela do notebook

Descrição da Imagem #PraCegoVer: Fotografia ilustra o texto Acessibilidade na Web, com Reinaldo Ferraz. Duas mãos  seguram um celular onde aparece a foto do Reinaldo. Logo atrás, em cima de uma mesa branca há um notebook aberto na home page do site NIC.br. Ao lado esquerdo há um óculos de grau, e um pequeno vaso do lado direito. Fim da descrição. Foto: Art by RFerraz

A importância de garantir Acessibilidade na Internet para promover a Inclusão Digital

Entrevistamos o especialista Acessibilidade na Web, que é um dos principais nomes do Brasil sobre o assunto, com anos de experiência e quatros livros publicados

Atualmente é impossível pensar em “Acessibilidade na Web”, no Brasil, sem falar sobre Reinaldo Ferraz. Formado em desenho e computação gráfica e pós graduado em design de hipermídia, é autor de quatro livros, e Especialista em Desenvolvimento Web no NIC.br,  onde coordena as iniciativas de acessibilidade na Web.

Bom, este é só mais um pequeno passo na longa caminhada em busca da Inclusão Digital. Afinal, fazer da Internet um ambiente inclusivo é, entre outros temas, uma das principais bandeiras deste site Jornalista Inclusivo.

Desde a criação do projeto Jornalista Inclusivo, em 2017, nas redes sociais, o slogan “Acessibilidade & Inclusão através da Informação” sempre esteve associado e representado pelo símbolo da pessoa com deficiência – o desenho de um cadeirante segurando um celular.

Se no mundo físico, a acessibilidade depende da boa vontade política e empresarial, com obras de alto custo, que podem demorar a serem realizadas, no digital deveria ser diferente. Afinal, diversas ferramentas gratuitas estão ao alcance de todos. Mas infelizmente não é.

Imagem de um celular para o texto sobre Acessibilidade na Web
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Imagem retangular mostra uma mão usando um celular, sobre uma superfície laranja. Na tela do celular é possível ler a palavra acessibilidade e configurações de áudio e texto. Imagem: Edição RFerraz

De acordo com a Revista Galileu, um levantamento realizado pelo Movimento Web para Todos e pela plataforma BigDataCorp mostra que “apenas 0,74% dos sites brasileiros são acessíveis a pessoas com deficiência”. E esse dado preocupa.

Preocupa porque hoje em dia, não é difícil promover a acessibilidade na internet. E não é algo que está somente ao alcance de programadores e web designers. Todos temos acesso a tecnologias e práticas que podem tornar qualquer conteúdo acessível.

Qualquer um pode e deve fazer um post com texto alternativo para descrever imagens e qualquer tipo de informação visual relevante, por exemplo. Além disso, como citado anteriormente, há diversas possibilidades de legendar vídeos, e fazer áudio descrição por meio de aplicativos. 

Entretanto, o que vemos na maioria esmagadora de websites, é também um reflexo da sociedade, de grandes empresas e políticos: A falta empatia – e nos seus três componentes: afetivo, cognitivo e reguladores de emoções.

É necessário colocar-se no lugar do outro, e imaginar como é para um cadeirante acessar um prédio sem rampas. É imaginar uma pessoa surda querendo assistir um vídeo sem legendas no YouTube, ou um cego passando por um post sem Texto Alternativo no Instagramque descreve as imagens para os leitores de tela.

O assunto sobre como inserir legenda e descrição é extenso. Rende diversos artigos e publicações, como os dois livros Acessibilidade na Web (2018) e Acessibilidade na Web – Boas práticas para desenvolver sites e aplicações acessíveis (2020), lançados pelo entrevistado, Reinaldo Ferraz. Então, sem mais delongas, vamos para a entrevista:

Acessibilidade na Web
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Fotografia mostra Reinaldo Ferraz, homem branco na faixa dos 40 anos, com cabelos castanhos, barba e bigode um pouco grisalhos. Ele está sorrindo e veste camisa branca. Foto: Reprodução/ Divulgação

Acessibilidade na Web, com Reinaldo Ferraz

Como o NIC.br enxerga a importância de tornar a web num ambiente mais inclusivo, por meio da acessibilidade?

Tornar a Web um ambiente mais inclusivo é fundamental para que possamos garantir que todos tenham as mesmas oportunidades na rede. Uma pessoa com deficiência que encontra barreiras de acesso em uma aplicação Web devido a problemas de codificação pode não conseguir exercer seus direitos como cidadão. Isso pode ser exemplificado quando a pessoa tenta solicitar um documento on-line, participar de um grupo ou comunidade em rede ou mesmo ler uma documentação ou lei. A barreira não é devido a sua deficiência e sim devido a codificação sem seguir padrões que eliminam essas barreiras. A acessibilidade permite a igualdade de oportunidades.

A que nível o Brasil está, em relação a outros países, quando falamos em acessibilidade na web, na prática?

É difícil fazer uma comparação entre países. Conheço poucas pesquisas de outros países e suas metodologias são diferentes. Mas dá para ter uma ideia. Segundo a pesquisa TIC Web, promovida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, aproximadamente 5% das páginas governamentais seguem os padrões de acessibilidade estabelecidos pelo governo (esses são dados da pesquisa de 2017, mas continuam atuais). Já no Reino Unido esse número de sites governamentais que seguem as diretrizes locais está em torno de 40%. Mesmo sabendo que a metodologia e o número de sites é diferente (no Brasil são mais de 1.300 domínios governamentais e no Reino Unido em torno de 270), esses números preocupam.

Acessibilidade na Web com Reinaldo Ferraz Braille
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Fotografia mostra una pessoa de costas, com fones de ouvido, usando um computador. Em frente ao teclado, há um dispositivo em Braille, como recurso de tecnologia assistiva. Foto: Reprodução

Por que o Brasil é tão atrasado nessa questão? E quais são os desafios para tornar a web acessível a todos no país?

As pesquisas apontam que os sites têm sérios problemas de acessibilidade por não seguir padrões que eliminam as barreiras. Elas não abordam ferramentas para tornar os sites acessíveis. A acessibilidade costuma ser invisível para quem não tem deficiência, como por exemplo descrição de imagens. Quem enxerga consegue ver a imagem. Quem não enxerga tem acesso ao texto alternativo.

Sites com problemas de acessibilidade estão longe de ser exclusividade do Brasil, mas creio que algumas coisas contribuem para não tomarmos medidas para solucionar isso. Uma delas é a legislação que não é clara sobre o que deve ser feito para tornar o site acessível e leis que punam de verdade sites e serviços que sejam inacessíveis para pessoas com deficiência. Acho que o Brasil melhorou muito, mas ainda tem um longo caminho para seguir para respeitar as pessoas com deficiência.

Recentemente, seu artigo “Serviços para adicionar legendas em vídeos” foi pauta no blog Vencer Limites (Estadão). Como tem aumentado, principalmente nas redes sociais, a participação e a presença de pessoas com deficiência, e de serviços para esse público, vídeos e lives têm sido desafios para quem deseja torná-los acessíveis. Qual seria a solução, e sua projeção para que isso se torne mais presente e ao alcance de todos?

Hoje temos recursos tecnológicos bastante sofisticados e não tão caros para quem quer fazer uma “live” acessível. As ferramentas que apresentei no blog são alguns exemplos de como qualquer pessoa pode dar um passo para tornar a rede mais acessível. Grandes instituições que oferecem “lives” com artistas famosos já perceberam que eles conseguem atingir um público maior proporcionando acessibilidade e à medida que essa informação é projetada para o grande público, que nunca entendeu a necessidade da acessibilidade, eles percebem que conseguem ir além. Lembro que a Marília Mendonça começou com “lives” com intérprete de Libras e depois adicionou audiodescrição. É um baita negócio.

Acho que precisa popularizar ainda mais. Fazer eventos acessíveis, transmissões, bate-papos e tudo mais. Pessoas com deficiência muitas vezes não conseguem assistir a um show por falta de acessibilidade e essa falta de acessibilidade faz parecer que não há público para os shows.

É a mesma coisa que o dono de uma loja de rua com uma enorme escada na frente dizer que não precisa adequar sua loja porque um cadeirante nunca entrou na loja.

Reforço o coro de que temos que tornar a acessibilidade um tema comum, e não de um grupo específico.

Livro Acessibilidade na Web (2020)

Reinaldo Ferraz lançou recentemente o livro “Acessibilidade na Web – Boas práticas para desenvolver sites e aplicações acessíveis”. Assista ao vídeo no final do texto, onde ele fala sobre as motivações de escrevê-lo.

Livro Acessibilidade na Web, lançado por Reinaldo Ferraz
Descrição da Imagem #PraCegoVer: Um notebook está aberto, com a tela desligada e um livro de capa branca, em cima do teclado. Na lateral do livro está escrito Acessibilidade na Web, Reinaldo Ferraz. E em cima do livro há um óculos de grau com armação preta. Foto: Divulgação
“Acessibilidade na Web consiste na eliminação de barreiras de acesso em páginas e aplicações digitais para que pessoas com deficiência tenham autonomia na rede. Na verdade, acessibilidade na web beneficia todas as pessoas. Em algum momento da vida todos podem precisar de acessibilidade, seja devido a uma limitação temporária ou permanente. Quando não levamos em consideração o acesso de pessoas com deficiência, estamos tirando o direito de uma pessoa de navegar, interagir ou consumir produtos e serviços na rede. Empatia é o fator principal para que as aplicações que desenvolvemos sejam inclusivas. Neste livro, Reinaldo Ferraz aborda o tema da acessibilidade na Web, desde os conceitos básicos, até as especificidades relativas aos seus diversos públicos, com uma introdução sobre as várias diretrizes e leis existentes. Você conhecerá as barreiras de acesso que temos de derrubar e quais as principais orientações para implementação, manutenção, avaliação, correção e divulgação, até as mais recentes e refinadas técnicas de acessibilidade para a rede”, segundo informações no site Google Books.
 
Lista das publicações do especialista: 
 
  • Acessibilidade na Web – Boas práticas para desenvolver sites e aplicações acessíveis (2020);
  • Tendências da Web (2018);
  • Acessibilidade na Web (2017);
  • Coletânea Front-end – Uma antologia da comunidade front-end brasileira (2014);

Para obter mais informações, clique AQUIhttp://reinaldoferraz.com.br/livros/

Lançamento do livro em evento on-line. Assista ao vídeo:

O Centro de Estudos sobre Tecnologias Web (Ceweb.br) do NIC.br realizou, no dia 21 de maio de 2020, evento on-line para debater os desafios da Acessibilidade na Web. No vídeo a seguir, Ferraz agradece o envolvimento de todos com acessibilidade. 

“A gente percebe que é uma luta constante para conseguirmos manter a acessibilidade na web, como tema relevante na sociedade. É muito fácil relegar o tema da acessibilidade, dizendo que o custo é muito alto. Então, é super importante ter toda essa comunidade participando”

Saiba mais sobre o Todos@Web: https://todosnaweb.ceweb.br/

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Rafael Ferraz Carpi

Rafael Ferraz Carpi

Formado em Comunicação Social com Ênfase em Jornalismo (2006), Rafael assina como Editor responsável pelo conteúdo do site, edição geral e publicações. É autor do projeto Jornalista Inclusivo e já trabalhou como repórter em jornais impresso, e rádio AM, como executivo de contas em revista, fotografia e assessoria de imprensa. Atualmente atua como produtor de conteúdo, redator, e com marketing digital em mídias sociais.

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