Autismo em mulheres: Estudo revela impactos do diagnóstico tardio

Mulher com rosto sob a luz do sol e texto ‘Autismo em mulheres’.
Mulheres autistas: A importância da identificação precoce e do tratamento adequado para enfrentar desafios e preconceitos. (Foto: Wayhomestudio)

Pesquisa de ex-aluna de Psicologia do Centro Universitário de Brasília mostra implicações sociais e emocionais como consequências.

Neste Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 02 de abril, destacamos um aspecto frequentemente negligenciado deste transtorno globalmente prevalente. O autismo, que afeta inúmeras pessoas ao redor do mundo, é muitas vezes mal compreendido e, especialmente em mulheres, diagnosticado tardiamente. Este artigo explora os impactos do diagnóstico tardio de autismo em mulheres, sublinhando a necessidade de identificação precoce e intervenção terapêutica.

Neste artigo

Boa leitura!

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Pesquisa sobre o Autismo em Mulheres

Manter uma conversa simples ou estabelecer relações de amizade e amor pode ser um desafio para mulheres com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O diagnóstico, infelizmente, muitas vezes não é imediato. Isso ocorre em parte devido às estratégias de camuflagem que essas mulheres adotam para ocultar características do transtorno, e também devido aos preconceitos de gênero existentes. Este fenômeno, conhecido como ‘comportamento de mascaramento’, pode resultar em um atraso na identificação do TEA, prolongando assim o sofrimento dessas mulheres.

A pesquisa de Ana Paula da Silva Teixeira , ex-aluna do curso de Psicologia do Centro Universitário de Brasília (CEUB), mostra uma série de problemas e implicações sociais e emocionais consequentes do diagnóstico tardio do autismo, destacando a importância do processo de aceitação e do tratamento adequado para mitigar os desafios enfrentado por essas pacientes.

Impactos do diagnóstico tardio do TEA

Mulheres autistas entre 18 e 40 anos contaram que tiveram experiências difíceis, crises de depressão, ansiedade e muita dificuldade para socializar antes de descobrirem que eram autistas. Mesmo depois de aceitarem o diagnóstico, elas ainda enfrentaram a falta de compreensão das pessoas ao redor e o capacitismo da sociedade em relação ao autismo.

“Uma participante passou por situações constrangedoras ao utilizar atendimento prioritário em filas ou transporte público, devido ao preconceito e à falta de conhecimento sobre o transtorno”, diz a pesquisadora Ana Paula Teixeira.

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Ajudando na identificação e no tratamento

O estudo revela padrões comuns nos relatos de mulheres sobre as dificuldades sociais que enfrentaram antes do diagnóstico de TEA. Elas sentiram grande dificuldade para socializar e se integrar a grupos sociais, além de mencionarem o cansaço após períodos de interação social. Ana Paula acredita que o estudo pode ajudar na identificação e no tratamento de mulheres que receberam um diagnóstico tardio de TEA, pois destaca características do transtorno que são frequentemente ignoradas no público feminino adulto.

Ana Paula, que concluiu o curso de Psicologia no CEUB, explica que as mulheres entrevistadas se sentiram aliviadas por finalmente se entenderem: 

“Elas relataram ter se conhecido melhor após o diagnóstico e aceitado suas particularidades em relação às demais pessoas, chamadas neurotípicas. Ao entender seus limites, aprenderam a lidar com as características do TEA”

Thais (nome fictício), uma das participantes do estudo, é um exemplo disso. A jovem de 26 anos, que foi diagnosticada com TEA em 2023, revelou que “se não tivesse recebido o diagnóstico, passaria a vida inteira procurando alguma coisa”.

Mulher de frente, olhando para baixo e sorrindo
Descrição da imagem: “A imagem mostra uma mulher de frente, olhando para baixo e sorrindo. Ela tem cabelo afro volumoso e está vestindo uma jaqueta jeans e uma camiseta branca. O fundo da imagem é desfocado e não oferece detalhes específicos do ambiente. A imagem serve como uma representação visual para a matéria sobre autismo em mulheres.”

Identificação e tratamento eficaz

Este estudo utilizou uma abordagem de pesquisa qualitativa e analisou os resultados com base no método de análise de conteúdo. As respostas foram categorizadas de acordo com as experiências das entrevistadas: aceitação do diagnóstico tardio, autoconhecimento, impactos nas relações sociais e na saúde mental, o TEA e questões de gênero. A teoria psicanalítica ajudou a entender os fenômenos observados após o diagnóstico tardio.

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Áurea Chagas Cerqueira, orientadora do projeto e professora de Psicologia do CEUB, acredita que o diagnóstico tardio em mulheres é um tema que precisa de mais estudos. “Os resultados mostram a importância de aprofundar os estudos, para que possamos fazer diagnósticos cada vez mais cedo e oferecer acompanhamento e tratamento adequados. Isso pode ajudar a reduzir os desafios que essas mulheres enfrentam e garantir uma melhor qualidade de vida”, ela diz.

Ana Paula Teixeira, psicóloga, planeja continuar estudando esse tema no mestrado. “A pesquisa chama atenção para a necessidade de observar e tratar mulheres adultas com TEA, especialmente em relação à saúde mental e dificuldades sociais”, ela conclui. A pesquisa também mostra que o TEA não deve ser visto como um fator determinante, pois cada pessoa é única e suas características vão além de qualquer rótulo.

Conclusão: Implicações

Em resumo, o diagnóstico tardio de autismo em mulheres pode ter implicações significativas na vida social e emocional dessas mulheres. É crucial que continuemos a pesquisar e entender melhor este tópico, para que possamos oferecer o apoio adequado e melhorar a qualidade de vida dessas mulheres.

Resumo: Autismo em Mulheres

1. Pesquisa: Ana Paula da Silva Teixeira, ex-aluna de Psicologia do CEUB, realizou uma pesquisa sobre o impacto do diagnóstico tardio de autismo em mulheres.

2. Diagnóstico Tardio: É comum em mulheres com TEA por questões como estratégias de camuflagem e aos preconceitos de gênero existentes.

3. Impactos: Mulheres autistas entre 18 e 40 anos relataram experiências difíceis, crises de depressão, ansiedade e dificuldades para socializar antes de receberem o diagnóstico.

4. Identificação e Tratamento: O estudo pode ajudar na identificação e no tratamento de mulheres que receberam um diagnóstico tardio de TEA, destacando características do transtorno frequentemente ignoradas no público feminino adulto.

5. Autoconhecimento: As mulheres entrevistadas relataram ter se conhecido melhor após o diagnóstico e aceitado suas particularidades em relação às demais pessoas, chamadas neurotípicas.

6. Necessidade de Mais Estudos: Áurea Chagas Cerqueira, orientadora do projeto e professora de Psicologia do CEUB, acredita que o diagnóstico tardio em mulheres é um tema que precisa de mais estudos.

7. Conclusão: O diagnóstico tardio de autismo em mulheres pode ter implicações significativas na vida social e emocional das mulheres. É crucial continuar pesquisando este tópico para oferecer o apoio adequado e melhorar a qualidade de vida dessas pessoas.

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Rafael F. Carpi

Editor na Jornalista Inclusivo e na PCD Dataverso. Formado em Comunicação Social (2006), foi repórter, assessor de imprensa, executivo de contas e fotógrafo. É consultor em inclusão, ativista dedicado aos direitos da pessoa com deficiência, e redator na equipe Dando Flor e na Pachamen Editoria.

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