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Arremessos para a felicidade, por Murilo Pereira

Atleta da Bocha Paralímpica segurando a bola com o pé - Arremesso

Descrição da Imagem #PraCegoVer: Ilustrando artigo Arremessos para a felicidade, fotografia em detalhe de um atleta da Bocha Paralímpica segura a bola com os dedos do pé. E no cantinho da foto aparece o controle de uma cadeira de rodas motorizada. 16/12/2018 – Centro Paralímpico Brasileiro, São Paulo, SP – Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica. Foto: Daniel Zappe/CPB/MPIX.

Conheça três trajetórias que se entrelaçam para firmar a inclusão

Em sua nova publicação ‘Arremessos para a felicidade’, o Paratleta Murilo apresenta histórias no Paradesporto em entrevistas ricas em detalhes. Confira:

Dentre as modalidades adaptadas, a Bocha Paralímpica é uma das mais inclusivas por contemplar deficiências severas. Dito em outras palavras, o esporte possibilita que indivíduos quase eliminados dessa realidade possam desfrutar dos benefícios que somente o Paradesporto é capaz de promover.

Foto do Atleta Eliseu para o texto Arremessos para a felicidade
Descrição da imagem #PraCegoVer: Eliseu usa camiseta regata, na cor amarela, com a escrita “Brasil”. Ele também veste calças escuras, está sentado em sua cadeira de rodas e usa óculos. O Atleta Paralímpico é careca, tem pele clara e está em uma quadra oficial de Bocha Paralimpica, com piso verde. Ele acaba de realizar um arremesso, com seu braço direito. A bola, que se aproxima da câmera é vermelha. Na frente de sua cadeira, há um acessório onde ele posiciona seu kit de bolas, o qual está demarcado com a credencial 403. Ao fundo, uma placa indicando que a quadra é de número 06. Ela é rosa e carrega o nome Lima 2019. No quadrante inferior, é possível visualizar as bolas, todas próximas umas das outras, vermelhas, azuis e uma branca, que já estão em jogo. Foto: Acervo pessoal

Assim como sua versão convencional, a Bocha Adaptada é um jogo que requer, mais do que tudo, muita atenção e precisão. Por essa característica já colocada aqui de ser, talvez, a única chance para muita gente sentir a atmosfera única que envolve uma disputa, ela acaba por despertar um amor e um protagonismo indescritível na vida de seus praticantes. E quando faço tal afirmação, não é sobre a ambição de competir, de ganhar, mas sim sobre o sentimento de um atleta.

Maciel exibe sua medalha - artigo Arremessos para a felicidade
Descrição da imagem #PraCegoVer: Maciel está sentado em sua cadeira de rodas, usando o agasalho da Seleção Brasileira. Em sua mão esquerda, ele exibe sua medalha de ouro, que está pendurada em seu pescoço. Na mão direita, ele segura o mascote dos Jogos Para-panamericanos de Lima 2019. Na ocasião, ele sagrou-se bicampeão da competição. Atrás, há placas de publicidade e expectadores, observando a cerimônia de premiação. Foto: Daniel Zappe/EXEMPLUS/CPB

Eliseu dos Santos, de 43 anos e dono de cinco medalhas Paralímpicas, relatou ao Jornalista Inclusivo seu primeiro contato com a Bocha:

“Eu fazia fisioterapia e quando eu saía, ia ver o pessoal treinar. Até que um dia, eles me convidaram para participar”.

Eliseu tem distrofia muscular e é integrante da classe BC4. O Atleta Paralímpico ainda nos contou que foi através desse universo que conheceu sua esposa, com quem tem dois filhos.

Eliseu 1
Descrição da imagem #PraCegoVer: Eliseu está de costas para a câmera, sentado em sua cadeira de rodas, de cor vermelha. Ele usa óculos, camiseta regata azul, com os dizeres “Bocha Brasil”. O Para Atleta segura uma bola azul em sua mão direita e se encontra em uma quadra de Bocha Paralímpica, com demarcações. Ao fundo, é possível ver alguns outros objetos. A luz solar entra no ambiente da direita para a esquerda. Foto: Acervo pessoal

Como em toda modalidade, a arbitragem tem um papel central durante as partidas, garantindo que a igualdade seja respeitada e dando uma dinâmica interessante para a disputa.

A segunda personagem desse artigo é Mohara Mendes Leal Itohara, Educadora Física de 42 anos, especializada em Atividade Física Adaptada e Saúde, com ênfase em grupos especiais e deficiências.

Mohara é árbitra regional da ANDE (Associação Nacional de Desporto para Deficientes). “A minha relação com a Bocha Paralímpica surgiu realizando um voluntariado, durante a edição das Paralimpíadas Escolares de 2010, em São Paulo. Com a oportunidade, fiquei muito interessada em conhecer melhor a modalidade que cativou tanto o meu coração”.

A coordenadora da equipe de arbitragem de Bocha Paralímpica do Campeonato Paulista da região Sudeste afirma que os principais preparos para um árbitro são: “o estudo minucioso das regras, a imparcialidade, muita dedicação e gostar do que faz”.

Arremessos para a felicidade
Descrição da imagem #PraCegoVer: Mohara, de pele clara, cabelo escuro e preso, é árbitra de mesa. Ela usa uniforme preto e tem um notebook cinza aberto na sua frente. Ela está com uma expressão séria, focada no que acontece na partida, à esquerda da imagem. Ao fundo, há alguns expectadores, uns sentados e outros em pé. Foto: Acervo pessoal

Arremessos para felicidade:

Continua após o vídeo…

E você conhece mesmo a bocha adaptada? Assista ao vídeo abaixo:

ASSISTIR AO VÍDEO

Praticada por atletas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas, a bocha paralímpica só apareceu no Brasil na década de 1970. A competição consiste em lançar as bolas coloridas o mais perto possível de uma branca (jack ou bolim). Os atletas ficam sentados em cadeiras de rodas e limitados a um espaço demarcado para fazer os arremessos. É permitido usar as mãos, os pés e instrumentos de auxílio, e contar com ajudantes (calheiros), no caso dos atletas com maior comprometimento dos membros.

A modalidade teve um antecessor nos Jogos Paralímpicos: o lawn bowls, uma espécie de bocha jogada na grama. E foi justamente no lawn bowls que o Brasil conquistou sua primeira medalha em Jogos: Róbson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos “Curtinho” foram prata nos Jogos de Toronto, no Canadá, em 1976. Nos Jogos Paralímpicos Rio 2016, o Brasil encerrou com duas medalhas: um ouro nos pares BC3, com Antonio Leme, Evelyn de Oliveira e Evani Soares, e uma prata nos pares BC4, com Eliseu dos Santos, Dirceu Pinto e Marcelo dos Santos.

Saiba mais sobre as Classes da Bocha, no site do Comitê Paralímpico Brasileiro, neste link: https://cpb.org.br/modalidades/51/bocha

Arremessos para felicidade na bocha adaptada

O Brasil é uma das referências quando o assunto é Bocha Adaptada e é quase impossível não falar de Maciel Santos, Atleta Paralímpico de 35 anos, da categoria BC2.

Maciel é terceiro colocado no Ranking Mundial Individual e Campeão Brasileiro de forma invicta há 12 anos.

“Comecei na Bocha em 1996, através de um amigo que fazia fisioterapia junto comigo e que me levou no Clube dos Paraplégicos, em São Paulo. Inicialmente, era apenas uma recreação, mas no mesmo ano disputei meu primeiro campeonato oficial, que foi o Brasileiro”.

Alguns anos depois, Maciel foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, em 2002, quando tinha apenas 15 anos e hoje já completa 24 só de modalidade.

Foto do Paratleta Maciel - Arremessos para a felicidade, por Murilo Pereira
Descrição da imagem #PraCegoVer: Maciel, com a mão direita, carrega a medalha presa em seu pescoço. Com a mão esquerda, segura a bandeira do Brasil em seu colo. Ele veste agasalho da Seleção Brasileira, na cor amarela. Nesse dia, Maciel foi Campeão Paralímpico de Bocha em Londres, 2012. Ele está sentado em sua cadeira de rodas. Ao fundo, a delegação brasileira acompanha a premiação, assim como alguns expectadores. Foto: Guilherme Taboada/CPB

A Bocha Paralímpica reserva histórias realmente únicas. Durante a entrevista, Eliseu relembra a que mais o marcou em toda a sua trajetória:

“Há bastante histórias que me marcaram. Porém, quando comecei a treinar e logo fui para a minha primeira competição, o Campeonato Brasileiro, fiquei em terceiro lugar. Ao chegar em casa, minha mãe me olhou com orgulho. Disso nunca me esquecerei”.

O detentor de dois títulos da Copa América em Duplas, além desse relato, lembra que quando foi para as Paralimpíadas de Londres, em 2012, sua esposa estava grávida do primeiro filho. Era um menino e ele nasceu no dia 29 de agosto, abertura dos Jogos. 

“Fui conhecê-lo apenas 13 dias depois, no meu retorno”.

Foto de jogo de bocha para Arremessos para a felicidade
Descrição da imagem #PraCegoVer: Eliseu acaba de realizar um arremesso, com seu braço direito, de uma bola vermelha, que ainda está no ar. Ele usa uniforme da Seleção Brasileira, calça preta e camiseta sem mangas com a frente amarela e as costas azul. Sua cadeira de rodas é de cor vermelha, com rodas azuis. Mais à esquerda, é possível observar o adversário, vestindo camiseta, calças e boné pretos. Sua cadeira de rodas tem detalhes vermelhos. Ao fundo, algumas placas de publicidade, com a marca “Lima 2019”, outras quadras com mais jogos, arquibancada e uma frase na parede “Jugamos Todos”. Foto: Acervo pessoal

Conversando sobre a perspectiva no esporte, Mohara – que foi árbitra do BISFed 2018 São Paulo Boccia Regional Open e BISFed 2019 São Paulo Americas Regional Championships –, frisa que o que a faz seguir é o amor pela modalidade:

“Um dia muito especial foi quando realizei meu primeiro jogo como árbitra, durante o 12º Campeonato Brasileiro de Bocha Paralímpica, em Uberlândia (MG). Durante o trajeto da Câmara de Chamada até a quadra, meus olhos encheram de lágrimas. Estava realizando um sonho”.

A profissional, que já esteve envolvida nas principais competições do país, como Brasileiro, Regional, Paralimpíadas Escolares e Universitários e Copa Brasil, afirma que sempre será muito grata a todos que participaram de seu caminho na Bocha.

Foto da árbitra Mohara, para o texto Arremessos para a felicidade
Descrição da imagem #PraCegoVer: Mohara é árbitra principal. Usa uniforme preto da ANDE (Associação Nacional de Desporto para Deficientes), assim como um colar dourado e brincos de pérola. Ela está com os cabelos presos, tem expressão séria e segura uma raquete, com as duas mãos, sinalizando que a próxima jogada será do jogador que detém a cor vermelha. Foto: Acervo pessoal

Um dos trechos mais emocionantes de nosso bate papo com Maciel Santos, Campeão Paralímpico em 2012 e Bicampeão Para-panamericano (2015-2019), foi quando ele contou sobre a experiência de disputar uma Paralimpíada em casa:

“Foi um dos momentos mais esperados. Infelizmente, a medalha não veio, mas o aprendizado foi único”.

O capitão da Seleção Brasileira por equipes BC1/BC2 destacou a importância do desempenho de nossos Para atletas no ano passado, conquistando vagas para Tóquio 2020 em todas as categorias.

Foto do Paratleta Maciel - Arremessos para a felicidade, por Murilo Pereira
Descrição da imagem #PraCegoVer: Maciel veste terno cinza chumbo, camisa branca e gravata cinza, com detalhes. Está sentado em sua cadeira de rodas, segura um troféu na mão esquerda e um cartão de agradecimento na mão direita. Atrás, há um painel branco e verde, com o logo do Comitê Paralímpico Brasileiro e também o da Loterias Caixa. No evento, Maciel foi eleito o Melhor Jogador de Bocha Paralímpica de 2019. Foto: Acervo pessoal

Essas foram três histórias que mostram um pouco do quão singular e especial faz-se a Bocha Paralímpica. Evidentemente, o objetivo desse artigo, até porque seria impossível, não é, de modo algum, tentar refletir o sentimento que ronda uma quadra em dia de disputa.

Contudo, os relatos fazem muitas pessoas refletirem sobre a realidade do Paradesporto, ainda mais em modalidades mais inclusivas e são capazes de modificar pensamentos que colocam em situação de vítima a Pessoa com Deficiência.   

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Murilo Pereira

Murilo Pereira

Cursando a faculdade de Jornalismo, Murilo Pereira dos Santos é Paratleta pela categoria BC1 de Bocha Paralímpica Ituana. Ele administra, nas redes sociais, as páginas "Vem Comigo" e "Sem Barreiras", este último oriundo do seu blog que dá nome a coluna aqui no site Jornalista Inclusivo, sobre paradesporto e outras questões.

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