#Audiodescrição: Fotografia colorida. À esquerda, o artista Enivo, um homem de pele parda, cabelos escuros e barba, sorri olhando para a câmera. Ele veste uma camiseta preta com a palavra “GRAFFITI” e bermuda azul-clara, e está com o braço direito erguido fazendo o sinal de “paz e amor”. À direita, o mural de arte urbana finalizado: uma figura de cabelos azuis volumosos, óculos amarelos e blusa verde com um coração vermelho, que acaricia um cachorro rosa. O cão está com a língua de fora, lambendo o rosto da figura. O fundo do mural é azul claro com bordas coloridas. (Créditos: Divulgação)
Com texturas, braille e audiodescrição, projeto rompe a lógica do “não toque” e transforma a obra “Xodó” em uma experiência multissensorial na Zona Norte de São Paulo.
São Paulo-SP, 11 de junho de 2026 – Você já parou para imaginar como uma pessoa cega consegue enxergar através do tato? Na arte tradicional, a regra de ouro dos museus e galerias costuma ser um restritivo “por favor, não toque”. Mas nas ruas, a arte urbana pede passagem e, agora, pede também para ser sentida com as mãos.
Desde o último dia 8 de junho de 2026, o CEU Perus, na Zona Norte de São Paulo, abriga a 5ª edição do projeto Graffiti #PraCegoVer. A iniciativa, que já se consolidou como um marco na acessibilidade cultural, reafirma seu compromisso de democratizar a arte ao transformar murais em experiências multissensoriais para pessoas cegas ou com baixa visão.
Nesta edição, o projeto convidou o artista Marcus Vinícius, conhecido internacionalmente como Enivo (@enivo), para criar uma obra inédita. Com mais de 25 anos de trajetória e raízes no Grajaú, Zona Sul da capital paulista, Enivo é célebre por dialogar com as culturas afro-brasileiras e indígenas.

“Xodó”: O afeto traduzido em texturas
Para o Graffiti #PraCegoVer, Enivo concebeu a obra “Xodó”. A cena retrata um momento de carinho e cumplicidade: uma pessoa relaxa no sofá enquanto recebe o afeto de seu animal de estimação, que lambe seu rosto.
Mais do que observar as cores vibrantes características do artista, o público é convidado a tatear a obra. O mural conta com texturas em relevo, inscrições em braille e audiodescrição, permitindo que a mensagem de acolhimento seja compreendida em sua totalidade por pessoas com deficiência visual.
“Criar um graffiti acessível, que possa ser percebido e reconhecido por diferentes públicos, é algo muito especial. Fiquei fascinado ao ver a obra ainda em sua versão monocromática, porque ela já carregava toda a sua força e sensibilidade”, relata Enivo. “O Graffiti Pra Cego Ver é uma iniciativa única, original e necessária, e me deixa muito feliz poder fazer parte desse projeto”.
Protagonismo e pertencimento no espaço público
Criado e realizado pela Mosaiky, o projeto atua diretamente na intersecção entre o design, a empatia e a inclusão. Ao descentralizar o acesso à cultura levando a instalação para o CEU Perus, a iniciativa fortalece o sentimento de pertencimento nos territórios periféricos.
Para Roberto Parisi, curador do projeto, a experiência tátil devolve a autonomia ao espectador. “Queremos que a pessoa com deficiência visual não apenas saiba que a arte está lá, mas que ela se sinta dona daquele espaço, daquela cor, daquela mensagem”, afirma.
A obra “Xodó” ficará disponível para visitação e interação tátil até o dia 8 de julho de 2026. Uma oportunidade imperdível de vivenciar a arte urbana onde as mãos se tornam os principais instrumentos de descoberta estética.
📍 SERVIÇO: Arte urbana acessível
5ª Edição do Graffiti #PraCegoVer – Obra “Xodó” (Artista: Enivo)
- Data: De 08 de junho a 08 de julho de 2026
- Local: CEU Perus (R. Bernardo José de Lorena, S/N – Vila Fanton, São Paulo – SP)
- Entrada: Gratuita
- Acessibilidade: Obra tátil com relevos, braille e audiodescrição.
- Realização: Mosaiky (@mosaikybr )
- Patrocínio: Google (@googlebrasil )
- Apoio: Prefeitura de São Paulo (@prefsp )
