Instituto Inclusão na Escola: Educação inclusiva é realidade em pequeno município de Mato Grosso

Cinco pessoas desenhando na lousa com giz, sendo dois cadeirantes, com sobreposição do logo do “Instituto Inclusão na Escola”, no canto esquerdo superior.
Descrição da imagem #PraCegoVer: Foto colorida, em ambiente interno, com sobreposição do logo do “Instituto Inclusão na Escola”, no canto esquerdo superior. Imagem com cinco pessoas em frente a uma lousa escolar. À esquerda, uma pessoa sentada desenha com giz. Ao lado há uma mulher agachada, que aponta para um desenho. Na sequência, jovem em cadeira de rodas está se inclina enquanto desenha. Outra mulher auxilia mais jovem em cadeira de rodas, que também está desenhando. (Imagem: Edição de arte. Foto: AdobeStock. Créditos: Bangkok Click Studio)

Projeto de educação inclusiva capacita professores, merendeiros e porteiros da rede municipal de ensino para atender estudantes com deficiência de Paranaíta – cidade com 12 mil habitantes

Em 2021, o número de matrículas de crianças Transtorno do Espectro Autista (TEA) aumentou subitamente na rede pública escolar de Paranaíta, uma cidade com apenas 12 mil habitantes, localizada no Estado do Mato Grosso. A procura em relação ao ano anterior crescia significativamente e atender este público representava um verdadeiro desafio para os cuidadores e demais profissionais da rede.

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    Instituto Inclusão na Escola

    “Faltava a eles capacitação adequada para atuar com as crianças. A maioria não tinha nenhuma formação e estavam a ponto de abandonar suas funções por não saberem nem mesmo por onde começar”, afirma Silvia Ferraresi, fisioterapeuta, pedagoga, mestranda em educação e fundadora do Instituto Inclusão na Escola. Segundo ela, o objetivo do centro é oferecer formação continuada e assessorar a implantação do projeto de educação inclusiva, de acordo com a realidade da rede de ensino.

    O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem como principais características padrões de comportamento repetitivos e com prejuízos na comunicação e interação social. O termo espectro se deve aos vários níveis de comprometimento, que se manifestam de maneira única em cada pessoa: enquanto algumas pessoas com autismo enfrentam prejuízos graves, outras podem ser mais independentes. “Esta complexidade levou a Prefeitura Municipal de Paranaíta a buscar um projeto que preparasse seus profissionais para a nova realidade”, explicou Silvia.

    Assim, o Instituto Inclusão na Escola assumiu o compromisso de levar conhecimento e capacitação técnica para cerca de 40 técnicos do desenvolvimento infantil (TDI) da rede municipal da cidade – entre eles, professores, merendeiras, faxineiras, enfim, todos aqueles que têm contato com as crianças no dia a dia e precisam ser envolvidos na causa.

    Cultura inclusiva na rede de ensino

    As formações tiveram como foco a sensibilização da equipe sobre a cultura inclusiva, voltadas para a construção de escolas para todas e também para cada uma das crianças. Ao chegarem ao local, o instituto mapeou as condições de ensino durante visitas técnicas e definiu as melhores estratégias a serem aplicadas.

    Silvia é uma mulher branca com cabelos escuros curtos. Está sentada e sorrindo. Usa óculos de grau e vestido preto.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Foto colorida, em ambiente interno, com Silvia Ferraresi. A profissional é uma mulher branca com cabelos escuros curtos. Está sentada e sorrindo. Usa óculos de grau e vestido preto. (Imagem: Editada. Foto: Reprodução. Créditos: Facebook)

    Conforme relata a especialista, as escolas de Paranaíta possuíam infraestrutura interna capaz de causar inveja a muitas instituições de ensino situadas nas grandes metrópoles. Destaque para o cuidado com a educação infantil e a creche, que além da estrutura possuem sala de recursos e serviço de atendimento educacional especializado (AEE), “apesar de este ser um direito previsto na Constituição, dificilmente vemos isso na prática”, enfatiza Ferraresi.

    Com alimentação de primeira, ar-condicionado e transporte de qualidade garantido a todas as crianças, as escolas são frequentadas por públicos bastante ecléticos: atendem desde os filhos dos produtores agrícolas até os das autoridades locais, o que reforça a tese de que todos entendem a mensagem de que existem escolas públicas com qualidade. “Isso ficou ainda mais evidente ao perceber o interesse dos profissionais da educação no projeto”, salientou.

    Silvia lembra que, na maioria das instituições de ensino regulares, os estudantes com deficiência não têm as mesmas oportunidades de aprendizagem e participação que os demais. “Um dos motivos é que nem todas as escolas ou educadores conhecem o potencial de aprendizagem desses alunos. E não me refiro somente aos estudantes com deficiência, pois a pandemia revelou a necessidade de olhar para os estudantes com transtornos de aprendizagem, ou de comportamento e questões emocionais transitórias. Afinal, todos os estudantes têm alguma necessidade específica para lidar. Por isso precisamos olhar para todos e cada um dos estudantes.

    Educação Inclusiva para todos

    O projeto de Paranaíta foi totalmente pago com verba do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual, composto por recursos provenientes de impostos e das transferências dos Estados, Distrito Federal e Municípios vinculados à educação.

    As visitas técnicas presenciais já terminaram e o próximo passo é estruturar o Plano Educacional Individualizado para cada estudante público-alvo da educação especial (aqueles com deficiência física, intelectual, visual, auditiva, TEA, altas habilidades ou superdotação). Até o final do ano, o Instituto Inclusão na Escola vai trabalhar para transformar a provocação da formação continuada em práticas adotadas dentro da escola. A previsão é que isso ocorra até o final do ano.

    “Estamos muito felizes em perceber a melhora significativa no atendimento aos alunos com deficiência em Paranaíta. Hoje, eles somam 79 alunos, o que representa 4,3% de toda a população escolar na cidade. Fazer a diferença na educação destas crianças é recompensador”, conclui a secretária de educação, Andressa Oliveira.

    Criança com síndrome de Down sorrindo, ilustrando o Instituto Inclusão na Escola.
    Descrição da imagem #PraCegoVer: Foto colorida, em ambiente interno, com sobreposição do logo “Instituto Inclusão na Escola” e o texto: “Formação continuada e assessoria em educação inclusiva”. Na lateral direita, foto de criança com trissomia do cromossomo 21 (síndrome de Down). Tem pele clara e cabelos loiros compridos. Segura caneta colorida, sorri e deita a cabeça em seu braço, sobre uma mesa. (Imagem: Edição de arte. Foto: Reprodução. Créditos: inclusaonaescola.com.br)

    Sobre o Instituto Inclusão na Escola

    O Instituto Inclusão na Escola foi fundado com o objetivo de oferecer formação continuada e suporte pedagógico a quem tem o poder de mudar essa realidade: professores e professoras, equipes de coordenação pedagógica e gestão escolar e todas as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, o Instituto Inclusão na Escola busca firmar parcerias com redes de ensino e escolas para subsidiar seus projetos.

    Fundado por Silvia Ferraresi, fisioterapeuta, graduada e especializada em reabilitação infantil, pedagoga e mestranda em educação, o Instituto Inclusão na Escola deu corpo ao sonho de ver todas as alunas e alunos pertencendo e aprendendo na escola. O Instituto acredita que isso só é possível quando a formação continuada no Brasil trouxer recursos práticos para os professores desenvolverem aulas que contemplem a diversidade de alunos presente na sala de aula.

    Jornalista Inclusivo
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    Da Equipe de Redação

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