Mundial de Bodyboarding no ES coroa atletas com deficiência, mas esbarra em regras globais do esporte

Atleta amputada comemora vitória sendo carregada nos ombros por dois homens na praia, com uma prancha azul erguida.

#Audiodescrição: Fotografia colorida na beira do mar. A atleta Carla Cunha, que possui amputação na perna esquerda, é carregada nos ombros por dois homens após sair da água. Ela veste blusa de lycra roxa com mangas estampadas e parte de baixo preta. Carla vibra intensamente, com a boca aberta em um grito de alegria e o punho esquerdo erguido. O homem à esquerda, também de lycra roxa, sorri largo e ergue com uma das mãos a prancha de bodyboard azul da atleta. O homem à direita, de blusa vermelha, ajuda a sustentá-la. Ao fundo, a água do mar agitada e com espuma. (Foto: Reprodução / Créditos: Assessoria de imprensa)

Atletas amputadas, cegas e mastectomizadas dominaram a etapa brasileira do Wahine Pro. Iniciativa pioneira no país exalta a alta performance, mas expõe a necessidade de reconhecimento oficial no ranking global.

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O mar da Praia do Solemar, em Jacaraípe, na Serra (ES), foi palco de um marco para o esporte adaptado feminino neste mês de setembro de 2026. Durante o ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro, etapa que encerra o Circuito Mundial Feminino da modalidade, as ondas foram dominadas por mulheres que provaram que a alta performance não tem um único formato de corpo.

A competição abriu espaço exclusivo para a categoria PCD (Pessoas com Deficiência), reunindo dez atletas divididas entre amputadas, com deficiência visual e mastectomizadas. Longe de ser apenas uma participação simbólica, o que se viu na água foi técnica, força e manobras de excelência.


A perfeição em forma de nota 10

O grande destaque do dia foi a pernabucana Carla Cunha, que competiu na categoria para amputadas. Consagrando-se tetracampeã do Wahine, Carla não apenas venceu, mas alcançou a perfeição técnica aos olhos dos juízes, arrancando uma nota 10 unânime.

“Quatro vezes campeã e hoje com a nota 10, para fechar com chave de ouro. Gente, que demais! Foi a primeira vez que tirei um 10 em campeonato. A emoção é grande, e estou muito feliz com isso. Treinei, me dediquei, me esforcei e ganhei”, celebrou a atleta ao sair da água.

Na categoria para deficiência visual, a constância foi a marca de Renata Bazone, que garantiu o seu tricampeonato. “A gente treina todos os dias, e quando chega ali e vê o resultado, percebe que valeu a pena todo o nosso esforço. O mar hoje cooperou bastante para eu fazer a marca que fiz. Senti o mar leve, estava muito gostoso”, afirmou Renata.

Já na categoria para mulheres mastectomizadas (que passaram por cirurgia de remoção da mama, geralmente devido ao câncer), o título ficou com Cintya Belly, marcando um retorno emocionante ao esporte. “No ano passado, não competi por questões de saúde, mas vim em 2023, em 2024 e agora estou de volta. E vou embora com o título”, comemorou.

Pódio da categoria PCD no Wahine Bodyboarding Pro com quatro atletas com deficiência segurando troféus e pranchas.
#Audiodescrição: Fotografia colorida do pódio da categoria PCD no Wahine Bodyboarding Pro. O fundo é um painel vermelho com logos de patrocinadores. Quatro atletas sorriem segurando troféus coloridos. No centro, no degrau mais alto (1), a campeã veste blusa roxa, boné e óculos escuros, apoiando uma prancha azul. À esquerda, no degrau 2, uma atleta de blusa laranja apoia uma prancha preta. À direita, no degrau 3, uma atleta amputada de uma perna, de blusa laranja e boné, apoia-se em muletas. À extrema esquerda, no chão, a quarta colocada está em uma cadeira de rodas rosa, de blusa branca e boné amarelo. (Foto: Reprodução / Créditos: Assessoria de imprensa)

O pioneirismo brasileiro e a barreira global

A inclusão das categorias PCD e “Mães & Filhas” (que promoveu o encontro de diferentes gerações no mar) é uma exclusividade da etapa brasileira, idealizada pela multicampeã Neymara Carvalho e realizada pelo Comitê Internacional de Bodyboarding (IBC).

No entanto, a iniciativa local joga luz sobre um debate urgente no cenário esportivo internacional: a categoria PCD ainda não conta pontos para o Circuito Mundial oficial.

Para o Jornalista Inclusivo, enquanto o esforço da organização brasileira em abrir esse espaço é um exemplo a ser seguido, a ausência de um ranking global oficial para atletas com deficiência no bodyboarding revela uma barreira capacitista nas federações internacionais. Atletas que tiram nota 10 e treinam com o mesmo rigor de profissionais sem deficiência merecem que suas vitórias sejam contabilizadas na corrida pelo título mundial.

O Wahine Bodyboarding Pro segue com as disputas das categorias Profissional, Júnior e Master até o dia 20 de setembro. As finais gerais e a entrega dos títulos mundiais terão transmissão pelo canal Woohoo e pelas plataformas Samsung/TCL (FAST TV).


📍 SERVIÇO: Mundial de Bodyboarding

ArcelorMittal Wahine Bodyboarding Pro 2026

  • Onde: Praia do Solemar, Jacaraípe, Serra (ES).
  • Quando: Até 20 de setembro de 2026.
  • Transmissão: Canal Woohoo e Samsung/TCL (FAST TV).
  • Mais informações: Instagram @wahinebbpro e @ibcworld_tour