Três cineastas com deficiência conquistam espaço inédito no Festival de Cinema de Gramado

Banner da '1ª Residência para Jovens Cineastas 2026' do 54º Festival de Gramado, com fotos das três cineastas com deficiência Bella, Carolina e Diana.

#Audiodescrição: Imagem dividida em três painéis verticais. Na parte superior, sobrepostos às fotos, estão os textos em branco: “54 FESTIVAL DE CINEMA DE GRAMADO” e “1ª Residência para Jovens Cineastas 2026”.
Painel esquerdo: Bella Bauer veste jaqueta de couro vermelha e óculos. Ela fala ao microfone sentada em uma poltrona vermelha de cinema. Em primeiro plano, a tela desfocada de uma câmera de vídeo a registra.
Painel central: Carolina Guandet, usando touca rosa e colete com estampa de corações vermelhos e brancos, segura uma claquete de cinema na altura do rosto contra um fundo verde-escuro.
Painel direito: Diana Griebeler, de óculos, jaqueta marrom e calça jeans, sorri segurando uma claquete e papéis em um cenário de cozinha, iluminada por um refletor de luz quente ao fundo.
(Créditos das fotografias, da esquerda para a direita: Maria Rosa Florentino, Guilherme Fernandes e Vinnícius Monteiro).


Bella Bauer, Carolina Guandet e Diana Griebeler estão entre os 60 talentos selecionados no 54º Festival de Cinema de Gramado. O trio leva a potência da autoria surda e neurodivergente para o centro do mercado audiovisual brasileiro.

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Potência gaúcha: trio de cineastas com deficiência

Gramado-RS, 17 de agosto de 2026 — Durante décadas, as pessoas com deficiência no cinema brasileiro foram retratadas pelo olhar de outros — frequentemente presas a narrativas de coitadismo ou superação heróica. No entanto, uma nova geração de realizadoras está virando a câmera para assumir o controle de suas próprias histórias.

No 54º Festival de Cinema de Gramado, que movimenta a Serra Gaúcha entre os dias 17 e 19 de agosto de 2026, três mulheres com deficiência residentes de Porto Alegre marcam presença na 1ª Residência para Jovens Cineastas: Bella Bauer, Carolina Guandet e Diana Griebeler.


O trio foi selecionado entre mais de 200 inscritos de todo o país para integrar a iniciativa do Conexões Gramado Film Market, que reúne 60 jovens talentos e já repercutiu na imprensa internacional, ganhando destaque na revista norte-americana Variety.

A cineasta, atriz e ativista surda Bella Bauer sintetiza a urgência dessa ocupação:

“Acredito que a nossa seleção é extremamente importante e simbólica! É essencial que mulheres com deficiência tenham esse espaço para crescer dentro desse mercado. Eu costumo perguntar para as pessoas: ‘Quantas mulheres cineastas com deficiência tu conhece?’ e são raras as vezes que recebo uma resposta. Já passou da hora de mudar isso, de finalmente dar nomes para as pessoas conhecerem e o próprio Google citar nas pesquisas.”

Autoria DEF: O corpo como linguagem e estética

A presença de realizadoras com deficiência atrás das câmeras não é apenas uma conquista de representatividade; é uma revolução de linguagem estética (o que o movimento artístico denomina como Arte DEF). Cada uma das selecionadas carrega uma trajetória consolidada de investigação social e artística:

  • Bella Bauer: Com sete anos de atuação no audiovisual, a diretora e roteirista investiga a surdez como potência e elemento narrativo. Seu documentário Na Sombra do Set (2024), premiado no CINEMAZ e selecionado para a Mostra Universitária de Gramado em 2025, entrevista outros cineastas com deficiência sobre os bastidores da indústria. Ela também atuou no filme Zagêro (2024), indicado ao Prêmio Grande Otelo.
  • Carolina Guandet: Estudante de Produção Multimídia no IFRS-Alvorada, mulher no espectro autista e diretora do coletivo Sina, Carolina traz em suas obras discussões firmes sobre feminismo, corpo e marginalização. Entre seus destaques estão o curta Vespas (2024), o videoclipe B.O.’s à parte (premiado no Festival de Cinema Negro de Porto Alegre) e o documentário em finalização Laços do Ofício, sobre as trabalhadoras sexuais da capital gaúcha.
  • Diana Griebeler: Roteirista e produtora autista, pós-graduada pela PUCRS, Diana dedica sua pesquisa à representação neurodivergente nas telas. Realizou os curtas Sai da Caixa (sobre diagnóstico tardio em mulheres) e As Faces de Ali (ficção com protagonista e atriz autista, disponível no Prime Box Brazil). Atualmente, desenvolve a série ficcional Contracorrente, protagonizada por uma personagem no espectro do autismo.

Quebrando o roteiro em conexão com o mercado

Ao longo dos três dias de imersão no festival, as realizadoras participam de 17 painéis, masterclasses e rodadas de negócios abordando roteiro, direção, políticas públicas, novas tecnologias, sustentabilidade e internacionalização.

A participação dessas profissionais no Conexões Gramado Film Market aponta para o que a acessibilidade cultural precisa ser: não apenas garantir rampas e audiodescrição nas salas de cinema, mas assegurar orçamento, formação e editais que financiem projetos concebidos por mentes plurais.

Quando mulheres surdas e neurodivergentes dirigem, produzem e escrevem, o cinema nacional não ganha apenas em diversidade — ganha em originalidade, profundidade e justiça estética.


📍 SERVIÇO

1ª Residência para Jovens Cineastas – 54º Festival de Cinema de Gramado