Como o sistema braille evoluiu em mais de 200 anos de história?

Retrato colorido de Louis Braille registrado no século XIX.

#Audiodescrição: Retrato colorido de Louis Braille registrado no século XIX. Ele é visto até os ombros. Homem de pele clara com cabelos ondulados de cor castanha. Os olhos pequenos estão fechados. O nariz é fino de formato triangular e os lábios finos. Está trajado com colete de botões sob jaqueta. (Roteiro: Drika Evangelista | Consultoria: Mileide Moreira | Foto: Domínio público)


Há mais de 200 anos era descoberto um sistema de leitura e escrita revolucionário para a vida das pessoas com deficiência visual no mundo.

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Por Mileide Moreira pedagoga, jornalista e consultora em audiodescrição.

O Dia Mundial do Braille, 4 de janeiro

Janeiro de 2026 – O Dia Mundial do Sistema Braille foi criado em 2018 pela Organização das Nações Unidas (ONU) em homenagem ao seu inventor, o francês Louis Braille, nascido em 4 de janeiro de 1809. A data tem o objetivo de conscientizar sobre a importância do acesso ao sistema braille pelas pessoas cegas e/ou com baixa visão como meio de comunicação e informação.


A invenção do sistema braille e um pouco de história

No Instituto Real para Jovens Cegos de Paris, em outubro de 1824, Louis Braille tinha prontos os primeiros estudos de sua invenção. E, em 1825, aos quinze anos de idade, inventou o sistema em relevo semelhante ao que se usa hoje e que recebeu o seu nome. No decorrer dos estudos, obteve sessenta e três combinações, que representavam todas as letras do alfabeto, acentuação, pontuação e sinais matemáticos. Desde então, com o sistema de Braille, os alunos eram capazes de tomar notas em classe, aprender ortografia, redigir composições, copiar livros, fazer ditados, corresponder-se entre si, enfim, podiam registrar seus sentimentos e impressões.

Na realidade, Louis Braille não teve o reconhecimento de sua obra por seus contemporâneos, a não ser por um círculo restrito de amigos. Somente um século mais tarde, a história do garoto de quinze anos que inventou um sistema de seis pontos em relevo expandiu-se pelo mundo.

A importância do sistema braille para as pessoas cegas e com baixa visão

O braille também é uma tecnologia assistiva basilar de fundamental importância no processo de alfabetização de crianças e adolescentes cegas e/ou com baixa visão, a qual pode e deve ser aliada a outros recursos tecnológicos. É de fundamental importância a alfabetização de crianças, adolescentes e pessoas que perdem a visão através desse sistema de escrita e leitura em relevo, porque o braille é o único recurso que possibilita o contato direto com a leitura e escrita através do tato.

Os demais recursos tecnológicos como computadores e celulares com leitores de telas, dão acesso a informação, porém, através dos sons produzidos pelo softwares. De alguma forma, as pessoas com deficiência visual perdem o contato direto com as letras e palavras, dessa maneira, ocorre dificuldades em prol do conhecimento da ortografia, o que não acontece com as pessoas que enxergam. Independentemente do recurso (texto impresso, no computador, no celular, painel eletrônico) elas estão visualizando as palavras e textos.


Há mais de 200 anos Louis deixa esse legado que é presente em livros, textos, em variados produtos a exemplo de medicamentos, cosméticos e embalagens de gêneros alimentícios, dando oportunidade e acesso com independência e autonomia do público consumidor de pessoas cegas e/ou com baixa visão.

Formas e equipamentos de produção do braille

O braille tem como aliada a tecnologia, de onde surgem possibilidades e diversas formas de sua produção e acesso. Para a escrita e leitura, utiliza-se reglete e punção; a máquina de datilografia Perkins Brailler; impressoras braille, a linha braille, entre outras formas e representações do sistema de leitura tátil e escrita em relevo.

FONTES


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Mileide Moreira

Pedagoga, jornalista e consultora em audiodescrição.
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