Mutismo Seletivo: Quando o silêncio na escola não é timidez, mas um pedido de socorro

Mutismo seletivo: Capa do livro 'A menina que não falava...' sobre uma carteira escolar de madeira, ao lado de lápis de cor e um desenho da personagem.

#Audiodescrição: Em uma sala de aula iluminada por luz natural vinda de uma janela à esquerda, o livro infantil de capa rosa “A menina que não falava… e hoje não para de falar!” está posicionado em pé sobre uma carteira escolar de madeira. A capa ilustra uma menina de laço amarelo. Ao lado do livro, há seis lápis de cor e uma folha de papel com o desenho à mão da mesma personagem. Uma mochila de couro está pendurada no encosto da cadeira em primeiro plano. Ao fundo, desfocado, vê-se o restante da sala com outras carteiras vazias e um quadro negro. (Créditos: Divulgação)


Lançamento de livro infantil no Rio de Janeiro traz à tona debate sobre transtorno de ansiedade que paralisa crianças em ambiente social e é frequentemente confundido com desobediência.

Mutismo Seletivo: livro ajuda crianças a vencer o silêncio

No retorno às aulas, é comum que educadores encontrem crianças mais quietas ou introspectivas. Porém, quando o silêncio se torna uma barreira intransponível apenas dentro dos portões da escola, enquanto em casa a criança fala pelos cotovelos, acende-se um alerta para o Mutismo Seletivo. O tema, ainda pouco discutido nas salas dos professores, é o foco do novo livro da neuropsicóloga Francilene Torraca, que será lançado no dia 1º de março.


A obra “A menina que não falava… e agora não para de falar!” (Literare Kids) chega como uma ferramenta paradidática para desmistificar um transtorno de ansiedade que afeta a comunicação social. Diferente da timidez (que passa com o tempo) ou do autismo (que envolve outras questões de neurodesenvolvimento), o mutismo seletivo é caracterizado por uma fobia específica de falar em determinados contextos sociais, gerando sofrimento psíquico intenso.

O Sofrimento por trás do “Mau Comportamento”

Um dos maiores desafios da inclusão de crianças com mutismo seletivo é a interpretação errada dos sintomas. “O mutismo seletivo não é escolha da criança, nem traço de personalidade. É sofrimento psíquico”, explica a autora Francilene Torraca .

Muitas vezes, o aluno que não responde à chamada ou não interage com colegas é rotulado como “mal-educado”, “mimado” ou “desobediente”. Essa pressão para falar (“o gato comeu sua língua?”) apenas aumenta a ansiedade, travando ainda mais a criança. O livro aborda justamente a trajetória de superação desse medo, mostrando que o silêncio é uma resposta de defesa, não de afronta.

A Importância da Representatividade

A continuação da saga da personagem Anna traz um aspecto vital para a literatura inclusiva: a representatividade da superação. Ao mostrar a personagem “florescendo” e ganhando voz, a obra oferece um espelho para crianças que hoje se sentem prisioneiras da própria ansiedade.

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“Falar, para Anna, é existir”, resume a autora. Para o ecossistema escolar, a obra serve como um guia prático de sinais de alerta, ajudando pais e professores a diferenciar o que é comportamento passageiro do que exige intervenção terapêutica.

Serviço e Lançamento

O lançamento oficial ocorre no Rio de Janeiro, mas a discussão é nacional. Para famílias e educadores que lidam com o “silêncio que grita”, a busca por informação qualificada é o primeiro passo para a inclusão.

  • Livro: A menina que não falava… e agora não para de falar!
  • Autora: Francilene Torraca (Neuropsicóloga)
  • Tema: Superação do Mutismo Seletivo e Ansiedade Infantil.
  • Lançamento: 01/03/2026, às 16h.
  • Local: Livraria Travessa – Barra da Tijuca (Rio de Janeiro/RJ).

🔍 Box Educativo: O que é Mutismo Seletivo?

Para ajudar pais e professores a identificar o transtorno, fique atento a estes sinais (diferentes da timidez comum):

  1. Contraste Extremo: A criança fala fluentemente e alto em casa (zona de conforto), mas fica totalmente muda na escola ou com estranhos.
  2. Paralisia Física: Além de não falar, a criança pode apresentar rigidez corporal, expressão facial congelada (“face de máscara”) ou evitar contato visual quando pressionada a interagir.
  3. Duração: O comportamento persiste por mais de um mês (desconsiderando o primeiro mês de adaptação escolar).
  4. Prejuízo: O silêncio interfere no aprendizado e na socialização (ex: não pede para ir ao banheiro, não tira dúvidas).
  5. Causas e Diagnóstico:
    • O mutismo seletivo é um transtorno de ansiedade, frequentemente ligado a uma timidez extrema, ansiedade social ou predisposição genética.
    • O diagnóstico é realizado por profissionais de saúde mental (psiquiatras ou neuropediatras).
  6. Tratamento e Apoio:
    • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): A abordagem mais eficaz, focada em técnicas de dessensibilização (exposição gradual à fala).
    • Papel da Escola/Família: Não forçar a criança a falar (aumenta a ansiedade), valorizar formas de comunicação não-verbais, evitar pressionar ou punir.
    • Intervenção Precoce: Quanto mais cedo o tratamento começar, mais fácil é a superação do transtorno.

O transtorno, se não tratado, pode persistir na adolescência e vida adulta, prejudicando o desenvolvimento acadêmico e social.