Grito de Carnaval Baladown: SP recebe edição de folia para pessoas com T21

Carnaval Baladown: Grupo diverso de pessoas, incluindo jovens e adultos com Síndrome de Down, dançando com os braços levantados em um salão de festa.

#Audiodescrição: Em plano levemente superior, um grupo numeroso de pessoas ocupa um salão com piso de madeira, a maioria com os braços erguidos e mãos abertas. O grupo é composto por homens e mulheres de idades variadas, incluindo diversas pessoas com Síndrome de Down. No primeiro plano, destacam-se um rapaz com óculos de armação quadrada amarela à esquerda, uma mulher de blusa roxa ao centro ao lado de um homem negro de camiseta branca e uma jovem de blusa estampada à direita, todos com a boca aberta ou olhando para cima. Ao fundo, outros participantes preenchem o espaço, alguns utilizando adereços coloridos e segurando celulares. (Créditos: Divulgação)


Evento gratuito para pessoas com Síndrome de Down acontece na Lapa e levanta debate sobre a importância de espaços de socialização seguros e livres de preconceito na vida adulta.

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Edição de folia da Baladown 2026 para pessoas com T21

O Carnaval é, historicamente, a festa mais democrática do Brasil. No entanto, para pessoas com deficiência intelectual, especialmente aquelas com Trissomia 21 (Síndrome de Down), a folia muitas vezes esbarra em barreiras invisíveis: a falta de acessibilidade atitudinal, o excesso de estímulos desordenados em blocos de rua e a insegurança de ambientes não adaptados. Contrapondo essa realidade e reafirmando o direito constitucional ao lazer, o Instituto UniDown realiza no próximo dia 8 de fevereiro, em São Paulo, o “Grito de Carnaval Baladown UniDown”.


O evento, já consolidado no calendário inclusivo da capital paulista, será na sede do instituto, no bairro da Lapa, das 14h às 17h. Mais do que uma tarde de música e dança, a iniciativa representa a criação de um “espaço seguro” (safe space), onde jovens e adultos com deficiência podem exercer sua autonomia, paquerar, dançar e conviver sem os olhares estigmatizantes que infelizmente ainda persistem em baladas comerciais tradicionais.

A Estrutura da Folia: Segurança e Acessibilidade

A organização do evento promete uma estrutura pensada para o conforto sensorial e físico dos participantes. O comando do som ficará por conta do DJ Viloki, que trará um repertório focado em marchinhas clássicas e sucessos de carnaval, garantindo a atmosfera festiva sem abrir mão da previsibilidade que muitos autistas ou pessoas com hipersensibilidade auditiva (que podem frequentar o evento como acompanhantes ou convidados) necessitam.

“Aqui no UniDown a gente não consegue esperar para cair na folia e vamos fazer o nosso esquenta para o Carnaval, promovendo um momento de alegria, encontro e pertencimento, onde todos possam se divertir”, afirma Márcio Berti, fundador do Instituto UniDown.

Um ponto relevante da curadoria do evento é a flexibilidade: o uso de fantasias é incentivado para quem deseja entrar no clima lúdico com glitter e confete, mas não é obrigatório. Essa diretriz é fundamental em eventos inclusivos, pois respeita aqueles que podem ter aversão a tecidos sintéticos ou adereços desconfortáveis, permitindo que participem da festa à sua própria maneira.

O Lazer como Ferramenta de Saúde Mental e Autonomia

Do ponto de vista terapêutico e social, iniciativas como a Baladown cumprem uma função que vai muito além do entretenimento. O isolamento social é um dos principais fatores de risco para depressão em adultos com deficiência intelectual. Muitas vezes, após a saída do ambiente escolar, as oportunidades de socialização diminuem drasticamente.

Eventos recorrentes criam uma rotina de socialização, estimulam a vaidade (o ato de se arrumar para sair), o planejamento financeiro (lidar com o dinheiro na lanchonete) e a navegação urbana (o deslocamento até o local). É o que especialistas chamam de “treino de vida diária” aplicado a um contexto real e prazeroso. A presença de uma lanchonete no local, por exemplo, não é apenas um serviço de alimentação, mas uma oportunidade de exercer a escolha e a autonomia de compra.

Serviço e Atenção aos Detalhes Práticos

Para as famílias e interessados, é crucial atentar-se aos detalhes logísticos que garantem a fluidez da experiência. O evento é totalmente gratuito para pessoas com Síndrome de Down e crianças de até 10 anos, uma política afirmativa que remove barreiras econômicas para o público-alvo.

Para acompanhantes, familiares e o público geral que deseja apoiar a causa e se divertir, há a cobrança de ingresso. A organização oferece um desconto para compras antecipadas via PIX até o dia 6 de fevereiro (R$ 30,00). No dia do evento, o valor sobe para R$ 35,00.

Alerta Importante de Pagamento: A organização reforça que não serão aceitos cartões de crédito ou débito, tanto na bilheteria quanto na lanchonete. As únicas formas de pagamento aceitas serão dinheiro físico ou PIX. Este é um detalhe vital para evitar transtornos na hora da festa, exigindo que os responsáveis se planejem com antecedência.

Apoio Comunitário

A realização do evento conta com uma rede robusta de apoiadores, incluindo nomes de peso da gastronomia e serviços como A Figueira Rubaiyat, Famiglia Mancini Trattoria, Outback e Nespresso, além de parceiros locais da Lapa. Esse ecossistema de apoio demonstra como o setor privado pode (e deve) engajar-se em pautas de diversidade, não apenas na empregabilidade, mas também no suporte ao lazer e à cultura.


📌 Serviço: Grito de Carnaval Baladown

  • O quê: Grito de Carnaval Baladown UniDown.
  • Quando: 08 de fevereiro (sábado).
  • Horário: Das 14h às 17h (A lanchonete abre às 13h para quem quiser almoçar ou lanchar antes).
  • Onde: Instituto UniDown – Rua Guaicurus, 27 – Lapa, São Paulo (Esquina com a Rua Faustolo).
  • Quanto:
    • Gratuito: Pessoas com Síndrome de Down e crianças até 10 anos.
    • Antecipado (até 06/02): R$ 30,00 (via PIX).
    • Na porta (08/02): R$ 35,00.
  • Como Pagar:
    • Chave PIX para antecipado: CNPJ 32.071.001/0001-13 (Enviar comprovante para WhatsApp 11 99257-7352).
    • No local: Apenas Dinheiro ou PIX. Não aceita cartão.
  • Classificação: Livre e familiar.
  • Mais informações: www.institutounidown.com.br ou Instagram @institutounidown .

Dica do Jornalista Inclusivo

Se você é pai, mãe ou cuidador, aproveite o evento para incentivar a autonomia. Deixe que a pessoa com deficiência faça o pedido na lanchonete, escolha sua roupa e interaja com os pares. A segurança do ambiente UniDown é o cenário ideal para exercitar essa independência com tranquilidade. Bom Carnaval!